UEL interdita anfiteatro e nove salas de aula
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segunda-feira, 06 de março de 2006
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) anunciou ontem a interdição de nove salas de aula do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) e do Anfiteatro Professor Cyro Grossi, mais conhecido como Pinicão, do Centro de Ciências Biológicas (CCB). A decisão de proibir qualquer tipo de atividade nesses locais coincide com o trabalho do Instituto de Criminalística (IC), que investiga o que teria causado a queda da marquise do anfiteatro do Cesa. O acidente, ocorrido no dia 12 de fevereiro, durante um Congresso Brasileiro de Zoologia, matou dois estudantes e deixou mais de 20 pessoas feridas.
O professor e prefeito do campus, Laerte Matias, afirmou, no entanto, que a suspensão das atividades nesses locais não tem vínculo com o que aconteceu no Cesa mês passado. ''Não existe o menor risco daquilo (a queda) se repetir em qualquer prédio da instituição'', garantiu. Ainda assim, como medida de segurança, a UEL irá contratar um empresa para diagnosticar o estado de conservação de prédios e edificações do campus. ''Queremos uma segunda opinião'', alegou Matias.
O Pinicão, de acordo com o prefeito, está sem funcionar desde o mês passado, após o encerramento do Congresso de Zoologia, e deve continuar dessa forma por pelo menos três meses. Nesse período, a UEL pretende contratar uma empresa especializada para avaliar os custos de uma revitalização do prédio, que inclui novos sistemas de climatização, sonorização, e talvez uma saída de emergência. A obra, segundo ele, não foi realizada antes porque não estava prevista no orçamento do ano passado.
Quanto às salas do Cesa, todas localizadas nos blocos posteriores da fachada do centro, elas apresentam fissuras e por isso foram interditadas. O prefeito garantiu que os alunos não correriam perigo, caso continuassem assistindo aula nos prédios isolados. ''Só fizemos por uma questão de comodidade. A reforma poderia ser feita junto com as aulas, mas preferimos evitar ruídos, poeira e outros problemas'', alegou o professor. Os alunos foram transferidos para outros centros.
O Instituto de Criminalística finalizou ontem o teste chamado de PIT, que pretende identificar fissuras nas três estacas localizadas sob o bloco de fundação da marquise. Em uma análise preliminar, nenhuma rachadura foi constatada. O relatório final deve estar pronto até o final da semana. ''Quero esperar o resultado final para me manifestar. Após a conclusão, os relatórios serão de domínio público e estão a disposição dos interessados'', afirmou o perito do IC, Luis Noboru.
O professor Paulo Roberto de Oliveira, presidente da comissão de sindicância da UEL, que também apura as causas do acidente, disse ontem que o relatório da comissão deve convergir com o laudo conclusivo a ser apresentado pelos peritos do IC. ''Acho que estamos na mesma linha. Estamos numa diretriz que não aponta uma causa somente, mas uma série de fatores que culminaram com a tragédia'', afirmou.


