UEL gasta mais em gasolina do que em pesquisa
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sábado, 06 de outubro de 2001
Adriana De Cunto<br> De Londrina 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) faz hoje 30 anos, mas as comemorações terão que ser adiadas para o ano que vem. O momento histórico pelo qual a instituição atravessa está mais para reflexão do que grandes festas. Seus professores e funcionários completam hoje o 21º dia de greve por melhores salários. Há 46 dias, o ex-reitor Jackson Proença Testa renunciou ao cargo, depois de ter sido afastado por suspeitas de irregularidades em contratos publicitários e superfaturamento de obras. Para o reitor interino, Pedro Gordan, não se trata de um período de crise. ''A UEL está vivendo um importante tempo para se tirar lições'', afirma.
Uma comissão de professores e funcionários até começou a preparar uma série de eventos para as comemorações, como uma grande exposição no Museu Histórico Padre Carlos Weiss - que é administrado pela UEL - e que duraria cerca de um ano. Seria o prazo necessário para que cada um dos centros mostrasse seus principais trabalhos. Com a greve, a exposição ficará para o ano que vem. A paralisação também vai privar o aniversário das tão elogiadas apresentações da Orquestra Sinfônica e dos corais da universidade.
''Estamos tristes porque não podemos comemorar na data do aniversário. Mas a grande festa vai ficar para a posse do novo reitor'', diz Pedro Gordan. As inscrições para os interessados em ocupar o cargo serão em março, o primeiro turno da votação no final de abril e o segundo, se houver necessidade, no início de maio. A posse está marcada para 10 de junho.
Pedro Gordan fala em mudanças de rumo na maior universidade estadual do Paraná e avisa: ''Não há mudanças sem dor.'' São alterações de ordem administrativa, gerencial e educacional. O desafio é buscar a ''verdadeira autonomia'', afirma o reitor. ''Precisamos fazer parcerias, aumentar os recursos dentro da universidade, gerar e gerir recursos independentes do Estado.''
Ele considera que esse será o grande desafio do próximo reitor, já que para alcançá-lo vai ser preciso optar por um modelo administrativo mais horizontal que vertical, diminuindo o número de cargos gerenciais e aumentando os funcionais. Para gerar recursos, na opinião de Gordan, é necessário ampliar prestação de serviços, número de cursos e de atividades. ''Nós estamos tentando mostrar caminhos que podem ser seguidos'', explica.
Outra proposta é tornar a UEL mais próxima ainda da comunidade, preocupada com a multidisciplinaridade para que os profissionais formados por ela possam resolver os problemas da comunidade. ''Um arquiteto também precisa ter noções de história, de sociologia'', exemplifica.
Para Pedro Gordan, mantendo a mesma postura a UEL não conseguirá competir com universidades particulares que já estão funcionando em Londrina e com aquelas que estão para ser implantadas. ''Se continuar como está, em breve, ela será a segunda universidade da cidade'', prevê. ''As particulares têm mais habilidade gerencial e administrativa.''
Libertar-se do Estado é outra condição importante para melhor aproveitamento do potencial dos professores e funcionários. ''O problema é que a estrutura administrativa é ruim, é muito lenta'', reclama. Uma evidência do mau aproveitamento está na comparação entre o gasto anual de recursos próprios com pesquisa, que é de R$ 40 mil, e com gasolina, R$ 70 mil. ''Não é o custo com gasolina que é grande. A pesquisa que está pouca'', afirma Gordan.
Bons exemplos de gerenciamento, segundo ele, estão nas universidades públicas paulistas, especialmente a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Cita também como modelo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


