César AugustoAcordo de cavalheirosJackson Testa, que tenta reeleição para reitor, e Márcio Almeida, candidato a vice: agora, unidos Na quinta-feira, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) vai eleger pela quarta vez o reitor e vice que irão administrar uma instituição cujos tamanho, orçamento e colégio eleitoral são iguais ou superiores aos da grande maioria dos municípios do Estado. Pela primeira vez, no entanto, apenas uma chapa se inscreveu para disputar o pleito: a UEL Unida, composta por Jackson Proença Testa, atual reitor que concorre à reeleição, e Márcio José de Almeida como vice, antes o principal nome cogitado pelo grupo de oposição para disputar o cargo.
A aliança entre Jackson e Márcio, anunciada em meados de fevereiro, pegou muitos de surpresa, principalmente membros do grupo que via em Márcio o principal nome para concorrer com o atual reitor. ‘‘Nós começamos a discutir a candidatura Márcio Almeida e estávamos esperando uma resposta dele. Eu fiquei bastante surpreso com a aliança’’, diz o ex-reitor João Carlos Thomson (gestão 1990-94).
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Outro questionamento ouvido pelo campus e manifestado publicamente por Thomson é sobre a união de duas pessoas com condutas políticas consideradas bastante diferentes. Márcio Almeida, embora tenha se filiado apenas em 85 ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) sempre teve uma atuação bastante próxima à conduta adotada pelo partido. Jackson Proença Testa foi filiado ao antigo MDB, já passou pelo PDT e hoje está abrigado no PTB e para muitos é tido como uma pessoa de postura conservadora.
‘‘Temos que nos acostumar a trabalhar com conflito e cooperação. Certos segmentos políticos têm tradição de trabalhar com o conflito. A cooperação é a chance de que os diferentes trabalhem juntos. Não temos uma história comum e a mesma visão de universidade. Há diferenças, mas os pontos de identidade são maiores’’, justifica Márcio Almeida.
Ele admite que chegou iniciar uma movimentação para lançar seu nome à disputa pela Reitoria. ‘‘Distribuí uma pesquisa e colocava meu nome à disposição como pré-candidato. Nunca cheguei a ser ou a afirmar que seria candidato a reitor’’, afirma. No decorrer no processo em que a carta era distribuída - e no qual Márcio diz ter sentido uma grande desmobilização da comunidade universitária - Jackson Proença Testa o chamou para conversar. ‘‘Nossas expectativas e disposições eram muito próximas’’, comenta.
Jackson ressalta que o distanciamento entre ele e Márcio não é tão extremado como muitos pensam. ‘‘Nós nos conhecemos no movimento estudantil e, embora muitas vezes em campos opostos, sempre brigamos pelos mesmos objetivos, sempre brigamos contra os instrumentos de repressão’’, destaca o reitor licenciado.
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Ele acrescenta que a candidatura de Márcio veio para somar. ‘‘É a primeira vez que temos candidato a reitor e vice que são ex-alunos da UEL. Nós estamos intimamente ligados ao passado da universidade. Na nossa candidatura não houve nenhum conluio no escurinho do cinema.’’
Jackson cita, entre os pontos em comum com Márcio, a luta pela democratização e durante o processo de abertura da UEL. ‘‘Em 86, eu era diretor do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) e estava junto na briga pela eleição direta para reitor - na época eu era membro do Conselho Universitário. E foi uma lei do Márcio (ele era deputado estadual pelo PCB) que regulamentou a indicação
do reitor e vice pela comunidade e o voto paritário.’’
Quanto às diferenças entre eles, é Márcio quem aponta: ‘‘Talvez pela própria experiência de vida de cada um, o Jackson tem um conhecimento maior de administração, de estrutura pública, o que acaba provocando uma tendência natural de enfocar a universidade. Ele pode ser mais técnico, mais preocupado com a sobrevivência da universidade. Eu estou mais ligado ao desenvolvimento científico e acadêmico. Mas é apenas uma diferença de ênfase. Nenhum de nós exclui uma ou outra parte.’’ As diferenças, para Márcio, praticamente acabam aí.
Os candidatos não vêem problemas na eleição de chapa única. ‘‘Eu discordo que esse fato prejudique os debates. Nessas últimas semanas temos tido debates bem mais aprofundados do que me lembro ter ocorrido nas duas últimas eleições que acompanhei’’, comenta Márcio. Ele defende que a união entre ele e Jackson não significa a anulação de idéias, mas a superação das diferenças. ‘‘Desde quando os debates existem só quando há antagonismos?’’
A primeira eleição direta para reitor na UEL ocorreu em novembro de 85, com a inscrição de seis chapas. A vencedora foi a dos professores Jorge Bounassar e Carlos Apoloni. Na época, a UEL tinha 12.599 eleitores (9.532 estudantes, 1064 professores e 1.993 funcionários). O orçamento do ano de 86 foi de US$ 31 milhões.
Hoje, a UEL tem um 17.338 pessoas aptas a votar: cerca de 11.600 alunos, mais de 1.500 professores e 4.200 funcionários. O orçamento executado ano passado foi de US$ 124 milhões - um pouco abaixo do município de Londrina, que foi de RS$ 178 milhões.
Na eleição de 90, concorreram quatro chapas. A vencedora foi a composta por João Carlos Thomson e Luzia Deliberador. Em 94, novamente a disputa foi acirrada, com a inscrição de três chapas. Ganharam Jackson e Nitis Jacon. ‘‘Quando nós nos candidatamos, enfrentamos a mesma discussão que enfrento hoje com o Márcio. Achavam que éramos muito diferentes e nossa administração está aí, com mais de 60% de aprovação’’, diz Jackson.
Márcio Almeida confia que a administração dele e do atual reitor também terá sucesso. ‘‘Se tem gente esperando que venha a ter uma queda de braço na futura administração entre reitor e vice, pode esperar sentado. Nós teremos uma única palavra. As diferenças serão resolvidas entre nós dois. Não vamos dividir a instituição.’’

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