Na semana passada o sargento Nilton Roberto e a pedagoga Ana Maria Moura, do Batalhão da Polícia Ambiental de Rondônia, embarcaram de volta para seu município de origem, Candeias do Jamari, levando uma bagagem muito especial: o conhecimento adquirido durante sete dias em Londrina. Aqui, eles conheceram vários projetos desenvolvidos na área de meio ambiente, sob responsabilidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e ONGs.
Algumas semanas antes, foram eles que ajudaram um grupo de 12 estudantes e quatro professores da UEL a conhecer melhor a realidade de comunidades de Rondônia, durante a Operação Amazônia 2006 do Projeto Rondon, realizada no início de fevereiro. Durante duas semanas, os alunos e professores capacitaram organizações da sociedade civil para a defesa de direitos como saúde e educação, implantarem atividades comunitárias solidárias, incentivaram o cooperativismo e o associativismo como forma de geração de renda e mostraram à população formas de desenvolver o potencial turístico da região.
Durante a temporada que passaram em Candeias do Jamari e Porto Grande, no Amapá, os professores e alunos de Londrina perceberam que podiam ajudar com parte do conhecimento que a população local buscava sobre alternativas ligadas ao meio ambiente. Daí nasceu a idéia de representantes de lá virem para Londrina, em um verdadeiro intercâmbio de conhecimento. Na UEL, o sargento e a pedagoga aprenderam a produzir mudas em tubetes, o preparo do substrato, a produção de flores ornamentais, compostagem, modelos de reflorestamento e educação ambiental. Nas ONGs, surpreenderam-se com a organização de algumas atividades, como a coleta seletiva de lixo.
''Encontramos aqui muito mais do que imaginávamos. Lá existem algumas iniciativas, mas não no estágio em que vimos aqui. Percebemos que aqui o poder público está envolvido em algumas iniciativas, lá ainda existe uma grande lacuna'', revelou Ana Maria, que atua na área de educação ambiental do Batalhão.
Para o sargento Roberto, a experiência vivida em Londrina foi valiosa. ''Aprendemos muito, e agora vamos tentar adaptar à nossa realidade. As técnicas de seleção, armazenamento e germinação de sementes, por exemplo, vamos usar com o material que temos lá'', explica o oficial, referindo-se ao que aprendeu no Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistema (Labre) da UEL.
O intercâmbio foi importante também para a universidade, na opinião da professora Vanerli Beloti, do curso de Medicina Veterinária, coordenadora do grupo que participou do Projeto Rondon em Rondônia. ''Esta foi uma das experiências mais bonitas e mais efetivas de troca de conhecimento que já vi dentro da UEL'', define.
A professora acredita que para os alunos a viagem foi uma experiência marcante, que vão levar para o resto da vida, onde eles puderam ver a importância do trabalho coletivo. ''Já para os profissionais que vieram para Londrina, foi a oportunidade de estar em um centro que desenvolve um trabalho que lá ainda está nascendo. É uma forma rápida de transferência de conhecimento, um tipo de extensão que deve ser incentivado'', defende.

mockup