O departamento de Psicologia do Trabalho da Universidade Estadual de Londrina começou, neste mês, uma pesquisa investigativa para dimensionar a incidência das Lesões por Esforços Repetitivos (LER) entre os bancários da região. A pesquisa, dividida em três etapas, deve levar dois anos e tem como objetivo estabelecer a relação entre a doença e a forma de organização do trabalho nos bancos.
Segundo o coordenador da pesquisa, professor Alexandre Bonetti Lima, a LER é uma doença que, nos últimos anos, vem apresentando uma elevação de número de casos, tomando forma até de uma epidemia em determinados ambientes de trabalho, não só no Brasil como no mundo. ‘‘Embora na literatura existam relatos de pessoas com sintomas parecidos à LER há 200 anos, as mudanças nas relações do trabalho e as inovações tecnológicas implantadas nos últimos tempos acabaram também por trazer mudanças de quadros patológicos do trabalho. Hoje, a LER e o estresse já não são mais quadros circunstanciais e sim, frequentes’’, explicou.
Para Lima, a escolha dos bancários para aplicar a pesquisa se deve ao fato da classe ser uma das categorias mais afetadas pela LER, com uma proporção de incidência bastante alta em comparação a outras profissões. ‘‘Além disso, o Sindicato dos Bancários é um dos mais atuantes na luta pela saúde dos trabalhadores e isto agiliza os canais de comunicação’’, disse.
A primeira fase da pesquisa vai dimensionar numericamente a incidência da doença junto à categoria. ‘‘Além de o registro de acidentes de trabalho, estamos estudando a possibilidade de aplicar questionários de queixas osteo-musculares junto aos bancários. Temos que fazer isto pelo fato de haver um sub-registro dos casos, já que nem todos são comunicados’’, explicou o professor. A partir das respostas, uma equipe de médicos deve avaliar a incidência.
A segunda fase vai ser uma investigação de ordem qualitativa, com entrevistas e observação em campos de trabalho dos fatores que tenham relação com o desencadeamento da doença. ‘‘A terceira e última fase, vamos discutir junto com os trabalhadores lesionados, sindicato e representantes das empresas um modelo de trabalho bancário que possa ser preventivo. A partir disto, vamos tentar também negociar com uma empresa um setor de teste para monitorar este modelo preventivo’’, afirmou.
A pesquisa deve ser concluída em setembro do ano que vem. ‘‘Este projeto tem também como objetivo abrir caminho para uma linha de pesquisa, no departamento, sobre a Saúde do Trabalhador. É a pesquisa inaugural de um núcleo em potencial nesta área.
A LER foi considerada doença ocupacional, no Brasil, a partir de 1993. Segundo Lima, é uma síndrome de microlesões nos ligamentos, filamentos e músculos que estão envolvidos nos movimentos dos órgãos superiores. Entre as microlesões características estão a tendinite, a tenosinovite, bursite e síndrome do ‘‘túnel do carpo’’, entre outras.

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