Preocupações com a proposta de unificação dos vestibulares das universidades públicas do Estado, o alto número de professores temporários nas instituições de ensino superior, a necessidade de revisão do plano de cargos e salários dos docentes e a implantação de um doutorado interinstitucional na área de Direito levaram reitores e Conselhos de Administração (CA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM) a se reunir na tarde de ontem. Esta é a primeira vez, desde que Wilmar Marçal e Décio Sperandio assumiram o comando da UEL e UEM, respectivamente, que as duas instituições somam esforços para resolver problemas em comum.
Até o fechamento desta edição os representantes das duas universidades haviam decidido enviar uma carta à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e à Secretaria Estadual de Administração, com cópias às demais universidades públicas do Estado, reivindicando a revisão do plano de carreiras, um abono emergencial - que deve girar em torno de R$ 900,00 - para os professores, a reposição do quadro de recursos humanos e mais verbas para a pesquisa. Uma nova reunião entre os dois CAs e reitores também seria marcada para acontecer na UEM.
O projeto de lei que prevê a unificação das datas dos vestibulares é de autoria do deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), e atualmente espera a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa. Depois, passará pela Comissão de Educação antes de ir a plenário. Em maio os cinco reitores e sete dirigentes das instituições públicas de ensino superior (IES) do Paraná já enviaram um documento à Assembléia, pedindo que o projeto fosse retirado da pauta.
Ontem o reitor Wilmar Marçal voltou a afirmar que a medida segregaria o interior, em um desrespeito à autonomia das universidades. Marçal argumenta que a comunidade universitária não foi consultada e que o deputado não levou em conta que cada instituição tem um calendário e organização próprios. ''Se aprovada, esta medida só vai favorecer as instituições particulares, indo contra a proposta do governador, assumida no início de seu governo, de inclusão da comunidade mais necessitada no ensino superior'', afirmou o reitor.
Marçal disse estar confiante no apoio da secretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto, ex-reitora da UEL. ''Os alunos do interior têm o direito de fazer quantos vestibulares quiserem'', disse.
O reitor da UEM seguiu a linha de raciocínio de Marçal. ''Cada universidade tem suas peculiaridades, seus prazos e legislação interna. O projeto de lei restringe o número de oportunidades ao ensino público'', argumentou Sperandio. Sobre a união das duas universidades em busca de soluções comuns, ele observou que ambas estão entre as melhores IES públicas do País, por isso é importante que discutam estratégias comuns.

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