UEL é condenada a indenizar ex-cozinheiro
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quinta-feira, 13 de março de 2008
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi condenada a indenizar em R$ 100 mil o ex-cozinheiro do Restaurante Universitário, José Carlos Fortunato de Paula, por negligência em atendimento pós-operatório no Hospital Universitário, há praticamente seis anos. No dia 22 de março de 2002, Fortunato passou por uma cirurgia no ouvido e, enquanto aguardava na sala de recuperação anestésica, sofreu falta do oxigênio, o que lhe causou sequelas neurológicas definitivas. A partir daí, o ex-cozinheiro passou a conviver com espasmos, dificuldade de locomoção, movimento e fala - o que lhe deixou incapacitado para o trabalho. A decisão do juiz Álvaro Rodrigues Júnior também obriga a UEL a pagar pensão vitalícia de 4,5 salários mínimos por mês, além dos custos com medicamentos e assistência médico/hospitalar. A indenização terá o valor corrigido pela inflação desde 2002. A UEL tem a obrigação, por se tratar de órgão público, de recorrer da decisão.
Na sentença, o juiz entendeu que a demora no atendimento a Fortunato, após a falta de oxigenação cerebral, foi decisiva para ocasionar as lesões irreversíveis. ''É muito provável, portanto, que se o autor tivesse sido socorrido em menos de três minutos, a hipoxia (falta de oxigênio) não teria acarretado o quadro clínico diagnosticado. (...) Em suma: o quadro clínico diagnosticado deve ser atribuído ao comportamento negligente dos prepostos do réu, devendo este ser responsabilizado pelos prejuízos causados'', anotou Álvaro Júnior.
O ex-cozinheiro diz que está satisfeito com a decisão. ''Depois de tanta demora, eu achei o relatório do juiz favorável. Dinheiro não compra ninguém, mas vai judar a mim e à minha mãe, que ficou muito ruim depois que tudo isso aconteceu. Vou comprar um carrinho para não amolar mais os vizinhos pedindo carona'', contou. Atualmente, Fortunato recuperou boa parte da capacidade oral, mas só consegue se locomover com o auxílio de um ''andador'' e ainda sofre tremores constantes.
Sobre os últimos seis anos, o ex-cozinheiro contou que o período mais difícil foi aquele em que não conseguia falar. ''Eu queria dizer alguma coisa, mas percebia que não saía. Ninguém entendia quase nada, cheguei a entrar em depressão. Foi uma coisa horrível''.
Fortunato diz que sente muita saudade do tempo em que podia ir para onde quisesse, a qualquer hora, e das noites de ''bagunça'' com os amigos. ''Eu tinha dois empregos, saía à noite, fazia meus bicos. Hoje, não posso mais nada disso''. Nem por isso ele deixa de ter sonhos. O ex-cozinheiro tem planos de montar um restaurante.
A procuradoria jurídica da UEL terá, a partir do dia 17, prazo de 15 dias para apresentar recurso. A FOLHA não obteve retorno do órgão até o fechamento desta ediçao.


