O reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa anunciou ontem que está aguardando os relatos da audiência pública realizada na Câmara Municipal, na última segunda-feira, para discutir junto com o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). Segundo o reitor, a comissão criada na reunião foi acordada em um encontro prévio com os vereadores Beto Scaff (PSDB), Luiz Carlos de Castro Bordin (PMDB) e Jamil Janene (PDT). Ele negou que tenha ‘‘menosprezado’’ a audiência deixando de participar.
‘‘Em reunião com os vereadores, um dia antes, comuniquei que não poderia participar porque já tinha compromissos agendados em Curitiba antes mesmo de receber o convite para a audiência’’, afirmou. ‘‘Nessa reunião ficou acordado que seria tirada uma comissão para fazer os relatos da audiência para uma comissão da Copese que os levaria para o CEPE; o que não aconteceu’’, complementou.
As mudanças sugeridas por educadores, estudantes secundaristas, proprietários de colégios e representantes de outros segmentos, são de competência do CEPE, segundo o reitor. Mesmo como presidente, Testa disse que não pode tomar nenhuma atitude sem consultar o Conselho, que é o órgão máximo da universidade.
As principais propostas definidas na audiência pública foram a extinção do vestibular de inverno; antecipação do vestibular de janeiro para dezembro, coincidindo com os grandes concursos do País e diminuindo a concorrência que hoje é – em média – de 18 alunos por vaga; e a retirada das disciplinas de filosofia, sociologia e artes dos vestibulares, até que sejam realidade no segundo grau.
‘‘Todos estes assuntos são de competência do CEPE’’, afirmou o reitor. Ele disse não entender por que os vereadores que participaram da reunião com ele omitiram na audiência algumas informações, como a quantidade de alunos aprovados nos vestibulares. ‘‘Ele falou apenas a quantidade de alunos inscritos’’, disse.
Segundo o reitor o número de alunos de outros Estados aprovados é maior, mas as matrículas de alunos de Londrina e da região metropolitana é maior. ‘‘Muitos alunos aprovados de outros Estados também passam em outras faculdades’’, disse. De acordo com dados do reitor, 66% dos alunos matriculados são do Paraná e 34% de outros Estados.
Quanto à concorrência estabelecida pelos alunos de outros Estados que vêm prestar vestibular na UEL, o reitor foi categórico: ‘‘A escolha dos alunos é o nível de excelência deles. Não conheço nenhum outro critério.’’ Testa justificou a exigência de disciplinas como filosofia, sociologia e artes no vestibular como uma forma de pressionar uma melhoria na qualidade do ensino. ‘‘É obrigação da universidade forçar uma melhoria na educação, caso contrário vamos criar uma mediocrização do ensino.’’
Segundo ele, a existência dos cursinhos já denuncia uma falha na qualidade do ensino público no Brasil. ‘‘Se as escolas públicas estivessem conseguindo formar seus alunos com qualidade não existiriam os cursinhos’’, afirmou. ‘‘O CEPE não vai se submeter a diretores de cursinhos.’’

mockup