A Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Conselho Municipal da Comunidade Negra de Londrina começaram a discutir, ontem, a questão de reserva de cotas para afro-descendentes na instituição. A primeira reunião foi realizada ontem à tarde, na Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação da UEL (CAE). A reunião teve como objetivo iniciar, dentro da universidade, um processo de discussão para o desenvolvimento de políticas de ações afirmativas para os negros da cidade que, segundo o seu conselho representativo, chegaria a 102 mil pessoas. Uma solicitação oficial neste sentido será encaminhada pelo Conselho da Comunidade Negra à reitoria, juntamente com o pedido de reserva de 602 vagas para os afro-descendentes, o que corresponde a 20% das 3.010 vagas que a UEL disponibiliza, em média.
Tramita no Senado projeto de Lei que prevê reserva de 20% das vagas em todas as universidades públicas para negros e pardos. A reserva de vagas foi aprovada na 1 Conferência Municipal de Afro-Descendentes de Londrina, que aconteceu no ano passado, mas não chegou a ser discutida pelo Conselho Universitário da UEL.
''É necessário diminuir a exclusão social do negro, melhorar as suas condições de integração na sociedade brasileira. Hoje, a participação do negro nas universidades estaduais e federais não chega a 1%'', argumentou o presidente do conselho, Edmundo Silva Novaes.
Novaes também destacou que a discussão sobre reserva de vagas é polêmica, pelo fato do Brasil praticar um racismo ''enrustido e disfarçado'', mas que seria a maneira adequada de se garantir a igualdade de oportunidades. ''As pessoas que são contra precisam lembrar que, no Brasil, o processo de escravidão durou cerca de 500 anos e que, enquanto os brancos estudavam fora e dentro do país, o trabalho forçado dos negros garantia o sustento e riqueza deles'', afirmou.
As universidades estaduais da Bahia, do Rio de Janeiro e do Norte Fluminense já autorizaram a reserva de 40% das vagas para os afro-descendentes no vestibular de 2003. A Universidade de Brasília vai disponibilizar reserva de 20% também no ano que vem.
A reitora da UEL, que também preside o Conselho Universitário, Lygia Pupatto, disse que considera legítima a reivindicação dos negros, mas que ainda não tem ''clareza sobre a reserva de cotas''. ''É nossa obrigação ampliar o debate sobre o assunto, pois ainda tenho dúvidas e, talvez, reservando vagas para alunos que sempre estudaram em escolas públicas, estaremos também contemplando os afro-descendentes'', acrescentou.

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