UEL deve fechar 2015 no vermelho, diz reitora
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quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Guilherme Batista<br>Grupo Folha 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) vai terminar o ano de 2015 do jeito que começou: afundada em despesas e cercada por dificuldades financeiras. "Estamos na mesma situação, trabalhando na redução de custos com a manutenção do campus para evitar grandes prejuízos à área acadêmica", resumiu a reitora da instituição, Berenice Jordão, admitindo que a instituição deve fechar o ano no vermelho, com dívidas atrasadas e sem nenhuma perspectiva para investimentos.
Conforme ela, o governo alterou, no meio deste ano, o sistema de envio de verba, e comprometeu ainda mais as finanças da universidade. "Antes, recebíamos parcelas fixas de três em três meses. Agora, o repasse é feito conforme apresentamos as despesas", explicou.
Pelo orçamento aprovado no final do ano passado, a UEL deveria receber cerca de R$ 30 milhões neste ano. Até agora, no entanto, a universidade teria recebido menos que a metade desse valor. "O montante definido passou por tantas alterações que eu não sei dizer o que ainda falta para gente receber", admitiu a reitora.
Berenice confirmou, entretanto, que o governo ainda não se pronunciou sobre a liberação dos cerca de R$ 7 milhões até então referentes ao último trimestre deste ano. "Vamos contraindo as despesas, apresentando os relatórios ao Estado e torcendo para que a verba seja liberada", frisou.
Já em relação às despesas atrasadas, a reitora confirmou que a universidade está sem pagar contas de água e luz desde o ano passado, após o governo cortar cerca de R$ 6 milhões da verba de custeio. "A manutenção da frota de veículos, por exemplo, não está sendo feita, assim como os serviços estruturais nos prédios dos centros acadêmicos", disse, completando que o telhado de diversos prédios do campus, danificado pelas fortes chuvas dos últimos dias, não serão consertados por conta da falta de dinheiro.
A UEL economiza ainda no uso do material diário - folhas de papel, impressora, ligações telefônicas - necessário para manter os setores internos funcionando, conforme a reitora. "O combustível da frota também não está regular, assim como algumas bolsas de estudo, viagens e programas complementares", acrescentou.
Outro ponto negativo citado pela reitora envolve a falta de grandes obras e investimentos no campus. Como falta dinheiro até para custear despesas básicas, conforme ela, fica difícil planejar melhorias estruturais significativas. A última obra de grande porte realizada no campus da universidade foi a ampliação do Restaurante Universitário (RU), fechado desde dezembro do ano passado. A UEL investiu R$ 6,3 milhões nas obras, finalizadas em setembro após muita pressão por parte dos estudantes. A previsão é de que o RU seja reaberto no próximo mês, após o treinamento de novos funcionários.
ESTÁGIO
Apesar das dificuldades financeiras, as bolsas continuam a ser pagas normalmente aos cerca de 215 estagiários. Neste mês, entretanto, houve o atraso de alguns dias no pagamento por conta de "problemas operacionais", segundo a reitora.


