A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto, divulgou ontem um diagnóstico da instituição e um plano de administração para os próximos 180 dias. Segundo a reitora, um levantamento preliminar apontou que a UEL tem hoje um déficit acumulado de mais de R$ 300 mil. ''A situação é extremamente preocupante'', resumiu.
''Temos um déficit de R$ 300 mil acumulados, um orçamento de R$ 260 mil para gastar até o final do ano'', disse Lygia. Ela explicou que o gasto mensal da instituição é de R$ 140 mil. ''Se não conseguirmos agilizar o dinheiro do Estado para o custeio, o déficit deve aumentar em mais R$ 400 mil até o final do ano'', advertiu o coordenador de Administração e Finanças, Luiz Fernando Pinto Dias. O orçamento anual da UEL, segundo o governo do Estado, é de R$ 186 milhões.
De acordo com Dias, o aumento das despesas de custeio, mantidas pela arrecadação da universidade, e a diminuição da receita, com o fim do vestibular de inverno e a gratuidade dos cursos de pós-graduação, seria um dos principais fatores do déficit nas contas.
Além do desequilíbrio financeiro, a atual administração ainda levantou problemas com o sucateamento da frota, falta de equipamentos e de espaço físico. ''A prefeitura do campus tem hoje de equipamento, uma furadeira. Tanto as condições de trabalho como material estão muito defasadas e deixando a desejar'', exemplificou a reitora. Conforme o levantamento apresentado, a readequação dos espaços, instalações, recursos humanos, novas construções e equipamentos demandaria mais de R$ 3,7 milhões.
O que, segundo a reitora, era uma das esperanças da administração para sanar os problemas no orçamento, teve de ser adiado pelo menos até o próximo ano. Conforme a legislação eleitoral, na última sexta-feira expirou o prazo para que o governo estadual conseguisse a liberação de R$ 19 milhões através de um convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Amanhã, Lygia deve ir a Curitiba tentar a liberação de cerca de R$ 3 milhões para a instituição, aprovados pela Assembléia Legislativa.
O assessor de Planejamento e Controle, Marcos Tito, comentou sobre a possibilidade de atrasos no pagamento do funcionalismo no final deste ano. ''Em relação aos salários que o governo repassa, há uma diferença de cerca de R$ 1,2 milhão, que seria parte de uma folha de pagamento do final do ano passado. Acreditamos que o governo do Estado vai assumir esse compromisso'', contabilizou. A diferença nos repasses teria sido gerada durante a greve, que durou 169 dias, em que algumas férias não teriam sido contabilizadas.

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