Em uma pequena área dentro do campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi plantada a 37ªperoba ontem de manhã, para que daqui a vários anos as pessoas continuem se lembrando de que ali, onde hoje está o campus da instituição, já foi uma fazenda apelidada de ‘‘perobal’’.
  O ato simbólico encerrou a cerimônia de comemoração dos 37 anos da UEL, que contou ainda com descerramento de placa, apresentação da Orquestra de Sopros e Percussão da Sinfônica da UEL e homenagem às famílias Gonzaga de Oliveira e Nakamura, que doaram terras para a criação e expansão do campus, respectivamente.
  Clea Melo Gonzaga de Oliveira, 79 anos, viúva de um dos irmãos que doaram 12 alqueires para a instituição, mostrou-se surpresa e feliz com a homenagem. ‘‘Ficaria mais contente se meu marido e meu sogro estivessem aqui. Mas temos netos dos nossos primeiros empregados que trabalham aqui na UEL, e isso é uma satisfação muito grande’’,
comentou.
  Tanto Clea quanto Hiroki Nakamura, um dos nove irmãos que também doaram terras à UEL, mostraram-se satisfeitos com o destino dado àquelas áreas. ‘‘A doação era importante para a expansão. A cidade estava ficando grande e nós precisávamos contribuir de alguma forma’’, justificou Hiroki Nakamura, 74 anos.
  O reitor Wilmar Marçal lembrou que a UEL foi essencial para o desenvolvimento de toda a região. ‘‘A universidade formou profissionais que fizeram o desenvolvimento sustentável da grande Londrina. E tudo isso foi fruto de muito trabalho, do suor dos pioneiros que ajudaram a consolidar e de todos que transformaram a UEL em uma instituição reconhecida’’, afirmou. Dentre os planos para o futuro, Marçal planeja capacitar melhor a rede de energia elétrica para viabilizar mais expansões e investir na manutenção dos prédios já existentes.
  A universidade tem hoje 182 mil metros quadrados de área construída em 235 hectares, e outros 12 mil metros quadrados em construção. São 43 cursos de graduação e 179 de pós graduação, incluindo a residência médica, 28 mestrados e 9 doutorados. Estima-se que a comunidade universitária totalize mais de 20 mil pessoas, entre docentes, funcionários e alunos.
  Dentro dessa comunidade, há pessoas que presenciaram o surgimento da UEL e até hoje acompanham de perto seu desenvolvimento, como o professor de Letras Joaquim Carvalho da Silva. Aluno em 1960 e professor desde 1964 (na época, lecionava em uma das cinco faculdades que se reuniriam para formar a UEL em 1970), Silva é docente até hoje, e seu filho é vice-diretor do Centro de Ciências Agrárias. Quando a universidade completou 25 anos, o professor lançou um livro contando essa história, através de suas memórias. ‘‘Não dá para imaginar Londrina sem a universidade. A estrutura talvez não tenha sido tão grande quanto o planejado, mas em relação à eficiência, a universidade cresceu mais do que se previa’’, analisou, acrescentando que a UEL tem nível para competir com as melhores universidades do País.

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