Mario CesarAprendizadoDurante o curso, o grupo tem acesso a metodologias adequadas à alfabetização de jovens e adultosO programa Alfabetização Solidária vai formar mais 20 professores em Londrina. Trata-se de uma parceria entre Universidade Estadual de Londrina (UEL), prefeituras dos municípios de Poço Branco (Rio Grande do Norte) e Capela (Alagoas), iniciativa privada e governo Federal. Eles chegaram à UEL no dia 16 e, de volta aos seus municípios, terão um semestre para colocar em prática tudo que aprenderam durante o 2º Curso de Capacitação para Afabetizadores de Jovens e Adultos. A primeira turma se formou em agosto do ano passado.
Além de leitura, escrita e matemática básica, cada professor vai repassar noções de cidadania a uma turma de 25 jovens e adultos - na maioria trabalhadores volantes. ‘‘Eles buscam poucas coisas. Querem aprender a escrever o próprio o nome e votar, mas saem da sala de aula mais valorizados e muito mais conscientes de seus direitos’’, conta Jane da Silva, 25 anos, moradora de Capela.
Antes de participar do curso de capacitação, os professores visitam um a um os seus alunos e fazem o convite pessoalmente para que frequentem as aulas. ‘‘Mostramos a importância de aprender a ler e a escrever, conhecemos a realidade de cada um. Ensinar adultos é totalmente diferente e estas visitas facilitam a aproximação entre professor e aluno’’, conta Maria Aparecida da Silva, 33 anos, professora há 12 anos.
Coordenadora da equipe de professores de Capela, Maria Aparecida da Silva, elogia o programa. Ela participou do primeiro grupo que se formou e garante que pelo menos 50% dos alunos saíram das salas de aula alfabetizados. ‘‘O único obstáculo é o prazo. Na prática, nosso grupo teve menos de cinco meses para ensinar os alunos. Um semestre é muito pouco para realizar um trabalho tão sério’’. Ela defende a ampliação do prazo para um ano.
Durante o curso de capacitação, os professores têm acesso às metodologias adequadas à alfabetização de jovens e adultos na área de Língua Portuguesa e Matemática. Aprendem ainda a fazer uma ‘‘avaliação-diagnóstico’’ para saber a melhor forma de aproveitar a experiência de vida do aluno na hora de ensinar.
O curso incentiva ainda o uso da criatividade, única arma dos professores para driblar a falta de materiais para montar painéis e outros tipos de recursos didáticos visuais importantes para facilitar o aprendizado. Usando materiais de baixo custo e que podem ser facilmente encontrados, o curso ensina os professores a confeccionar o que precisam para as aulas. O histórico da alfabetização no Brasil, a Lei de Diretrizes Básicas (LDB) e o Estatuto do Menor e do Adolescente também fazem parte do programa do curso.
Uma vez por mês as coordenadoras do programa pela UEL, Lúcia Amaral Hidalgo e Maria Ruth Sartori da Silva, viajam a Capela e Poço Branco para avaliar o desempenho dos professores e aproveitamento dos alunos. ‘‘Os resultados só não são melhores devido à evasão escolar e à carência de material de apoio’’, conta Lúcia Hidalgo, responsável pela equipe de Poço Branco. Ela explica que os trabalhos da primeira turma foram prejudicados pela época da colheita da cana - de julho até o final do ano. ‘‘Muitos acabam deixando a escola por questões de sobrevivência’’, afirma.
Maria Ruth Sartori da Silva esclarece que o programa está procurando soluções para evitar a evasão e já estuda a possibilidade de implantar um cronograma escolar diferenciado. O Alfabetização Solidária faz parte do Programa Comunidade Solidária e foi lançado no início do ano passado. A UEL ingressou no programa em agosto de 97. A meta da UEL é alfabetizar 1,4 mil jovens e adultos de Capela e Poço Branco, nos dois anos do programa.

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