UEL armazena produtos de alto risco ao ar livre
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terça-feira, 25 de abril de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os candidatos que disputam hoje as eleições para reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) podem começar a se preocupar com mais um problema grave na instituição. Quilos e quilos de resíduos de laboratório, grande parte tóxicos, estão armazenados ao ar livre e sem nenhuma proteção no Departamento de Química, dentro do campus. Alguns materiais oferecem sérios riscos à saúde humana e podem provocar uma explosão.
O depósito está em um corredor externo do departamento, junto aos laboratórios. Centenas de embalagens, cheias e vazias, estão empilhadas no chão, sobre prateleiras improvisadas ou dentro de caixas de papelão abertas. Alguns recipientes encontram-se abertos e exalam cheiro característico de substâncias químicas. Há também muitos cacos de vidros usados em laboratório.
A poucos metros do depósito fica a Ludoteca da UEL, onde crianças brincam diariamente. A fotógrafa Débora Sanches constatou o perigo quando levou seu filho de um ano para se divertir no local, no último domingo. Tinha um monte de crianças pequenas brincando no parquinho, todas acompanhadas pelos pais. Mas se uma criança um pouco mais velha andar por lá sozinha, pode mexer nos vidros e acontecer uma tragédia, alertou. Segundo ela, havia cacos de vidro espalhados pela área de lazer, o que indicaria que alguém andou mexendo no depósito.
O marido de Débora, que é formado em química pela própria UEL, estava junto com ela e reconheceu substâncias de alto risco. O profissional, que preferiu não ser identificado, destacou quatro: acetonitrila, produto que pode queimar a pele e atacar o sistema nervoso; diclorometano, substância inflamável e altamente volátil, ou seja, espalha-se facilmente pela atmosfera; éter de petróleo, também inflamável e cuja inalação pode ser cancerígena; e nitrato de potássio, composto usado na fabricação de bombas e que em contato com substâncias inflamáveis pode provocar uma explosão.
O que causa maior espanto é que, apesar de representar ameaça grave, o armazenamento temporário dos resíduos no corredor do departamento já dura cerca de três anos. O chefe do Departamento de Química da UEL, João Carlos Alves, estima que a quantidade de material acumulado ao longo desse período chegue a uma tonelada e meia. De acordo com ele, o problema começou quando a legislação federal impediu que os resíduos fossem encaminhados para o aterro.
Recém-empossado na chefia, ele disse que enviou ofício à reitoria pedindo providências. De fato, pessoas que manipulem indevidamente esses frascos podem se contaminar. Se estiverem abertos, pode haver também contaminação ambiental, advertiu.
A coordenadora do programa de gerenciamento de resíduos químicos da UEL, Carmen Luisa Barbosa Guedes, falou em nome da reitoria. Ela declarou que a instituição reconhece que a atual forma de armazenamento dos resíduos é inadequada e oferece alto risco, mas que não houve negligência proposital. Dentro de uma instituição existem várias áreas de conhecimento, muitas que inclusive não geram resíduos, e é difícil convencer as pessoas a priorizar isso (a gestão de resíduos) frente a outras questões, explicou.
Carmen informou que o Conselho Administrativo (CA) da UEL irá votar amanhã a proposta do reitor em exercício, Eduardo Di Mauro, para a construção imediata de dois depósitos provisórios. Já nos informaram que a obra é muito simples e poderia ficar pronta em até um mês. Enquanto isso, vamos tratar da contratação de uma empresa especializada para fazer o transporte e a incineração dos materiais, completou.


