UEL analisa autonomia com otimismo
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 1999
Benê Bianchi 
Menos de dois meses após a assinatura do termo de autonomia financeira, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) admite possíveis dificuldades com a folha de pagamento mas acredita ter dado o passo certo a caminho da autonomia definitiva.
Conseguimos nos libertar das restrições adotadas pelo governo do Estado desde novembro do ano passado, com a criação do CRAFE (Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado), exemplificou Márcio Almeida, vice-reitor da universidade. Ele observou que a autonomia possibilitou a contratação de 45 professores para suprir 164 turmas sem aulas. As contratações haviam sido proibidas pelo órgão.
As possíveis dificuldades com a folha se explicam, de acordo com Almeida, pelas constantes alterações que ocorrem num universo com mais de 1.600 professores e 3.886 funcionários. A folha de um mês nunca é igual a do mês seguinte, comentou o vice-reitor.
A UEL receberá, este ano, cerca de R$ 105 milhões, valor estipulado levando-se em conta o repasse de 98. Como o decreto que instituiu a autonomia foi assinado em março, quando o repasse para o pagamento já estava tramitando, o repasse deste ano será de pouco mais de R$ 81 milhões - já descontados os valores referentes aos meses de janeiro a março. Com esse total, os recursos mensais serão de cerca de R$ 8 milhões.
Aparentemente, os valores são suficientes e há alguma folga se contabilizarmos que nos primeiros meses recebemos menos de R$ 8 milhões. Mas pensar que em 99 a UEL conseguirá viver com os mesmos recursos de 98 é ilusão, comentou Almeida. Mês a mês temos professores se titulando, recebendo adicional por tempo de serviço, solicitando o TIDE (Tempo Integral de Dedicação Exclusiva) etc, acrescentou.
Para se adequar à nova realidade, a universidade tem feito cortes administrativos e já criou duas Fundações que visam captar recursos. Os cortes, que geraram protestos de professores e funcionários, representaram 10% a menos no valor de todos os cargos comissionados e funções gratificadas; extinção do pagamento de horas extras, repouso semanal remunerado e qualquer tipo de trabalho extraordinário em dinheiro, admitindo apenas a compensação de horas; corte de 36 assessores especiais; entre outros.
Para agilizar a capacidade de captação, foram criadas a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (Fauel) e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico.
Se a administração está satisfeita com o modelo de autonomia financeira implantado este ano, o Sindicato dos Professores de Londrina tem suas críticas. As entidades representativas da comunidade universitária consideram inadmissível discutir a autonomia sem transparência. Não somos contra cortar gastos, enxugar a máquina, só que queremos discutir onde serão feitos esses cortes, gostaríamos que a comunidade compartilhasse dessas decisões, disse César Antonio Caggiano Santos, presidente do Sindripol.
Segundo Caggiano, as decisões estão sendo tomadas num dos menores conselhos da universidade, o Conselho Administrativo (CA), composto pelo reitor, o vice-reitor, nove diretores de centro, um representante dos funcionários e um representante dos alunos (a vaga não está ocupada porque os alunos não elegeram seu representante).
O governo propõe que as universidades corram atrás de investimentos. Em outras palavras isso significa sucateamento e, consequentemente, ensino pago, avaliou o sindicalista.
Para Caggiano, o Comitê de Defesa do Ensino Superior, integrado por várias entidades, está acompanhando o desenvolvimento político do processo de autonomia das universidades e, na UEL, está sendo desenvolvida a campanha Autonomia com transparência sim, sucateamento não.
A campanha prevê a realização de vários debates no câmpus. O comitê também está preparando um projeto de autonomia para ser discutido com a Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior (Apiesp), deputados estaduais e governo do Estado.
O vice-reitor da UEL rebate as críticas feitas pelo Sindiprol no que se refere às discussões restritas e possibilidade de sucateamento da universidade. As decisões sobre os cortes foram tomadas pelo conselho competente para esse assunto, definido pelo Estatuto e Regimento Interno e não foram feitas às escuras.
Com relação à possibilidade de sucateamento, Almeida não acredita que isso possa ocorrer. As medidas não estão apontando para isso. As dificuldades que estamos passando são superáveis e não está havendo prejuízo às atividades acadêmicas.


