UEL admite suspender vestibular de verão
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Lino Ramos<br>De Londrina 
A Comissão Permanente de Seleção (Copese) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) admitiu ontem que a realização do vestibular de janeiro está comprometida pela greve dos servidores da instituição, que hoje completa 81 dias. O adiamento do vestibular vai ser discutido segunda-feira pelo Conselho Universitário (CU), órgão máximo da UEL. Pelo calendário original o vestibular deverá ser realizado de 6 a 9 de janeiro.
Para o coordenador da Copese, Luiz Carlos Bruschi, se até amanhã as negociações entre o comando de greve e governo do Estado não evoluírem, a realização do concurso se torna inviável. ''Se o movimento continuar, estaremos impedidos de realizar o vestibular na data prevista'', avaliou. Segundo ele, até segunda-feira ainda seria possível enviar aos 19.098 vestibulandos o cartão informativo sobre o concurso.
''Se o Conselho autorizar até o dia 10, com muito esforço será possível mas já é um prazo complicado. Mas não adianta o CU aprovar se não houver estrutura'', afirmou. De acordo com Bruschi, para a realização do vestibular é necessário a roçagem do campus, limpeza dos locais de prova e a convocação de funcionários e fiscais. O coordenador da Copese reconheceu que a UEL também poderá sofrer prejuízos com o adiamento do vestibular, porque terá de publicar editais com novas datas, além de enviar correspondência a todos os candidatos.
''Estamos próximos da data-limite'', admitiu o reitor da UEL, Pedro Gordan. Segundo ele à medida em que a greve avança a realização do vestibular fica ainda mais comprometida. ''Não posso adiantar, mas acho muito difícil. A não ser que o comando de greve tenha outro entendimento.'' Gordan também se recusa a realizar um vestibular com a comunidade universitária em greve. Ele teme que ocorram cenas de violência, como as registradas na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), César Caggiano Santos, mostrou-se frustrado com a atitude do secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, que cancelou uma reunião marcada para ontem de manhã com o comando de greve. De acordo com o Sindiprol, o secretário teria argumentado um mal-entendido porque os servidores estariam insistindo em cobrar um índice de reposição salarial e ontem à tarde recebeu informalmente lideranças do movimento.
O comando de greve sugeriu um reajuste de 50% nos pisos dos docentes (R$ 780) e funcionários (R$ 180). A assessoria de imprensa da secretaria disse que Ramiro não irá se pronunciar sobre o asssunto para não atrapalhar as negociações. De acordo com o professor do Departamento de Artes, Kennedy Piau, Ramiro insistiu em uma proposta de correção de distorções nos pisos salariais somente a partir de fevereiro. A proposta será discutida amanhã em assembléia unificada, que em princípio não tem caráter deliberativo.


