UEL acata proposta de autonomia
O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) aceitou a proposta de gerenciamento negociada entre o governo do Estado e a Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp). A decisão foi tomada em reunião ontem à tarde, por 30 votos favoráveis, 17 abstenções e um contrário.
Os representantes dos estudantes (que não puderam votar porque o mandato dos seus representantes venceu há duas semanas e o Diretório Central dos Estudantes ainda não fez novas indicações) e do Sindicato dos Professores se posicionaram contrários ao acordo e enfatizaram que vão continuar a mobilização da comunidade universitária para discutir uma proposta que efetivamente assegure a autonomia universitária.
De acordo com a minuta, a administração da UEL terá autonomia para gerenciar a instituição. Mas o governo do Estado vai repassar apenas os recursos equivalentes à folha de pagamento do ano passado. Ainda de acordo com a minuta, a UEL se compromete a aumentar em até 20% a oferta de vagas a partir do ano que vem - sem aumento de custos para o Tesouro do Estado.
O vice-reitor Márcio Almeida disse à Folha que o acordo não é o ideal. É um risco calculado, mas temos a certeza de que o incremento da prestação de serviços, dos cursos de pós-graduação e das taxas cobradas, além de convênios com outras instituições, podem garantir o custeio e novos investimentos, argumentou o vice-reitor, acrescentando que o aumento do número de vagas ainda vai exigir estudos de adequação.
Para os professores e estudantes, o acordo com o governo do Estado nos termos aprovados ontem representa o sucateamento e não a autonomia universitária. Com os cortes de recursos definidos pelo Estado, as instituições públicas de ensino superior enfrentarão grandes dificuldades, que certamente vão levar ao fim do ensino gratuito e à privatização de nossas cinco universidades e 11 faculdades isoladas, diz o presidente do Sindicato dos Professores, César Caggiano.
O professor diz ainda que as consequências da proposta serão ainda mais negativas para as faculdades isoladas. Elas já padecem com a falta de professores, porque o governo proibiu novas contratações, e não têm como buscar recursos extras através da prestação de serviços, argumenta, informando que diretores das 11 instituições devem se reunir hoje pela manhã em Curitiba.Mario CesarDecisãoProposta de gerenciamento negociada entre governo e Apiesp foi aceita durante reunião no campus da UEL: 30 votos a favor, um contra e 17 abstençõesÁureo Nogueira





