A União Democrática Ruralista (UDR) na região Noroeste vai pedir intervenção federal no Paraná. A decisão foi tomada anteontem à noite, durante uma reunião realizada no auditório da Sociedade Rural de Paranavaí, que contou com a participação de aproximadamente 200 fazendeiros. O pedido de intervenção é uma resposta dos ruralistas ao não-cumprimento das reintegrações de posse determinadas pela Justiça na região. Pelo menos sete ordens de despejo já foram concedidas.
Os fazendeiros também decidiram não autorizar mais as vistorias que o Incra está realizando na região para o recadastramento das propriedades rurais. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, ‘‘as vistorias não amenizam o conflito de terra na região’’. Os ruralistas denunciam ainda a falta de critério do Incra nas vistorias.
A principal reclamação é que algumas áreas invadidas estavam relacionadas entre as propriedades que deveriam ser vistoriadas pelo Incra.
Para pressionar o governo a cumprir as reintegrações de posse na região e mobilizar a comunidade sobre os abusos nas invasões de propriedades, os ruralistas também prometem realizar uma carreata até Curitiba no início do mês que vem. A expectativa é reunir ruralistas de todo País.
De acordo com o assessor de imprensa da entidade, Benedito Praxedes, a UDR não pretende deixar que os crimes cometidos na região Noroeste pelos sem-terra sejam esquecidos. Por isso, o departamento jurídico vai encaminhar ofício aos delegados de Querência do Norte e de Santa Isabel do Ivaí solicitando o andamento de todos os processos contra os sem-terra. Os fazendeiros pretendem pedir ao secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, a indicação de um delegado de carreira para Querência do Norte.
Embora tenham sido convidados pela UDR, o coordenador de terras da Secretaria de Meio Ambiente, José Carlos Araújo Vieira, e o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Miguel Kfouri Neto, não participaram da reunião de anteontem. Conforme Praxedes, nenhum dos dois mandou representantes.
A ausência de representantes do governo na reunião com os ruralistas deixou ainda mais insatisfeitos os membros da UDR na região. Eles alegam que para as últimas reuniões marcadas pelo governo do Estado com o objetivo de discutir o problema fundiário, representantes de vários segmentos foram convidados, menos os ruralistas.

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