A UDR (União Democrática Ruralista) ingressou ontem na Justiça do município de Loanda (Noroeste do Paraná) com pedido de providências contra o governador Jaime Lerner (PFL), por crime de desobediência à Justiça.
Lerner é acusado - juntamente com o seu secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, e os comandantes da Polícia Militar do Paraná e do Policiamento de Interior - por crime de desobediência ao não cumprir determinação de reintegração de posse em seis áreas no Noroeste do Paraná, ocupadas por trabalhadores rurais sem terra.
Hudson José, assessor de imprensa de Lerner, disse que o governador não está preocupado com o requerimento, ‘‘mas o que preocupa é o conflito iminente na região, que pode levar ao derramamento de sangue’’.
O prazo determinado pela juíza Elizabeth Kather para o governo cumprir as reintegrações de posse venceu no dia 31 de agosto. Kather deverá receber hoje o requerimento, protocolado ontem no cartório do Fórum de Loanda.
Segundo José Ortiz, advogado da UDR-Noroeste do Paraná, ‘‘o cidadão comum que desobedece ao Judiciário é preso e a UDR espera o mesmo tratamento ao governador’’.
Ortiz afirmou que os fazendeiros da região estão armados e ‘‘está difícil segurar um processo de desocupação à marra’’. A ‘‘Agência Folha’’ apurou que existe uma divisão entre os ruralistas no noroeste do Paraná com relação aos problemas agrários na região.
Comandado pelo presidente da entidade, Marcos Prochet, um grupo defende a retirada imediata dos sem-terra das fazendas com uso de seguranças.
O outro grupo, coordenado pelo secretário da UDR Tarcísio Barboza de Souza, defende o uso de meios legais para a retirada dos sem-terra.
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) de Querência do Norte, onde estão localizadas as seis áreas em litígio, anunciou que irá resistir à tentativa dos fazendeiros.
Segundo Celso Anghinoni, do MST em Querência, os sem-terra ‘‘não querem o conflito, mas irão se defender’’.

mockup