A fundação de uma nova União Democrática Ruralista (UDR), na região Noroeste do Paraná, pode ampliar os conflitos entre fazendeiros e integrantes do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). A UDR ressurgiu no Estado com o objetivo de desmistificar o proprietário rural colocando-o como o verdadeiro dono da terra e não como o vilão de todos os conflitos com os sem-terra.
Os novos integrantes da UDR não falam em uso de violência para garantir estes direitos, mas discordam de reforma agrária no Estado. Para eles, os trabalhadores que querem terra não podem escolher o local e devem ser os desbravadores de áreas nas fronteiras do País.
Por outro lado, os líderes do MST não se importam com a volta da UDR na região e afirmam que vão continuar invadindo terra. Os líderes dos sem-terra na região de Paranavaí, município de Querência do Norte, garantem que os fazendeiros não cumprem a função social da terra - que é produzir alimentos e gerar empregos - e que por isso, milhares de trabalhadores estão passando fome.
Atualmente, a UDR, criada em Paranavaí pelo fazendeiro e empresário Marcos Menezes Prochet, 38 anos, conta com 100 associados. ‘‘São todos proprietários rurais’’, diz Prochet, que não gosta do termo ‘‘fazendeiro’’. Do total, 10% têm fazendas invadidas pelos sem-terra no município de Querência do Norte e arredores.
A maioria já teve a reintegração de posse garantida pela Justiça, mas os sem-terra continuam nas propriedades. Os demais integrantes, segundo Prochet, são ruralistas temerosos de que suas propriedades sejam invadidas. ‘‘Não temos mais segurança de que a propriedade nos pertence porque a qualquer momento os sem-terra podem invadir a área e não há reintegração de posse que os faça sair’’.
Para garantir a reintegração de posse, os associados da UDR apostam numa assessoria jurídica forte e bem estruturada. Segundo Prochet, as constantes invasões e a ausência do governo para a retirada dos sem-terra de propriedades com reintegração de posse estão desestimulando os fazendeiros. ‘‘Eles acabam desistindo de lutar pelos seus direitos, por isso estamos criando uma assessoria jurídica que pressione o governador a cumprir a lei; senão ele vai ter que arcar com as penas da lei’’, justifica.
A formação de milícias rurais, na opinião dos integrantes da UDR, é apenas uma reação desesperadora dos fazendeiros. ‘‘Alguns proprietários que fizeram isso, depois perceberam que este não é o caminho. Nós não queremos mais conflitos’’, garante Prochet. Ele afirma que os sem-terra são os principais responsáveis pelos conflitos.
Os ruralistas não se conformam com as invasões e acusam os sem-terra de serem os responsáveis pela imagem distorcida dos fazendeiros perante a sociedade. ‘‘Eles passam a imagem de trabalhadores rurais e nós, de vilões nesta história toda das invasões’’, garante Prochet.
Para a advogada Gisleine Antonia Izzo, 42 anos, os sem-terra estão extremamente organizados na região Noroeste do Estado e por causa disso, conseguiram muita simpatia da sociedade. Ela faz parte da assessoria jurídica da UDR e tem uma fazenda que foi invadida em abril do ano passado.
A Justiça já concedeu reintegração de posse, mas os sem-terra continuam na área. ‘‘Já tentei de tudo, mas o governo não cumpre a reintegração’’, reclama. A fazenda São Francisco tem 80 alqueires e, segundo Gisleine, será dividida entre os quatro irmãos. ‘‘Na verdade sou proprietária de apenas 20 alqueires’’, diz a advogada. A advogada acredita que a união dos fazendeiros é a única alternativa para coibir a atuação do MST na região.

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