A União Democrática Ruralista (UDR) da região Noroeste entregou ontem uma carta ao governador Jaime Lerner (PFL), cobrando a divulgação da ‘verdade’ sobre a desocupação de áreas invadidas pelos sem-terra. Lerner esteve em Paranavaí para o início das obras do Anel de Integração. A UDR acusa o governador de ‘levar à imprensa notícias falsas sobre a paz no campo’. Na carta, os ruralistas colocam a situação das áreas desocupadas, principalmente no Noroeste.
Segundo a UDR, os sem-terra deixaram a Fazenda Água da Prata para invadir as fazendas Vera Lúcia e Piedade. Na Fazenda Dois Córregos, os sem-terra deixaram a propriedade destruída e mantêm a área cercada, sem acesso aos donos, que ainda são ameaçados de morte. As famílias que estavam na Dois Córregos foram para as fazendas Boa Sorte e Santo Ângelo, em Marilena. As fazendas Santo Antônio e Santa Ana, que segundo o governo foram desocupadas há 10 dias, continuam invadidas de acordo com a UDR.
O presidente da UDR Marcos Prochet disse ontem à Folha que o dono das duas áreas, Ciro Gomes Taques, de Curitiba, enviou ofício à entidade informando que as fazendas Santo Antonio e Santa Ana continuam ocupadas. Taques diz que os sem-terra estão destruindo as benfeitorias feitas nos últimos 15 anos, e que ‘‘o governador Jaime Lerner está desinformado sobre a real situação das duas áreas’’.
Na carta, a UDR alerta ainda que os responsáveis pela morte de um segurança da Fazenda Borborema, na região de Londrina, continuam impunes. ‘‘Lerner alega que depois de setembro não ocorreram mais invasões. Somente na região foram invadidas cinco propriedades nos últimos 30 dias’’, diz Prochet, que afirma ter conhecimento de um documento enviado pelo deputado federal Padre Roque (PT) ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), informando que a Fazenda Santo Ângelo, invadida semana passada, foi considerada área de interesse social para reforma agrária.

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