UDR condena acordo com sem-terra
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sexta-feira, 11 de julho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
A regional de Paranavaí da União Democrática Ruralista (UDR) se recusa a aceitar o acordo que suspendeu por 45 dias o cumprimento de reintegrações de posse na região Noroeste do Paraná. O acordo, fechado anteontem em Querência do Norte (Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST), Justiça e o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, afastou a possibilidade de ações policiais para retirada de sem-terra.
A UDR promete lançar mão de ações judiciais para obter o cumprimento das reintegrações. O movimento também ameaça recorrer à Justiça para obter a prerrogativa de depositar os impostos rurais em juízo até que o governo do Estado cumpra as determinações judiciais já existentes.
O presidente da regional da UDR, Marcos Prochet, diz que o acordo só beneficia os sem-terra. Ele reclama da falta de segurança nas propriedades rurais localizadas na região, especialmente nos municípios próximos a Querência do Norte. No final da tarde de anteontem, o secretário de Segurança se reuniu com os fazendeiros da região, em Paranavaí, para tentar acalmar os ânimos dos ruralistas. Falamos ao secretário que não concordamos com o que ficou definido em Querência do Norte, afirmou Prochet.
Segundo Prochet, a reunião com o MST não discutiu os prejuízos que os proprietários das fazendas invadidas sofrem. São mais 45 dias em que os fazendeiros vão ter que ficar sem poder fazer nada nas propriedades porque os sem-terra simplesmente não permitem a entrada nem de funcionários e nem dos donos das áreas, reclamou.
Ele disse ainda que os proprietários rurais da região vão se mobilizar para garantir a posse das fazendas. Já que o governo não nos garante segurança e o nosso direito à propriedade, vamos pagar os impostos em juízo para ele (o Estado) sentir a falta do nosso dinheiro porque os sem-terra não produzem nada e não pagam impostos.
Existem hoje 17 áreas invadidas na região de Paranavaí e cerca de 1.200 famílias sem-terra acampadas. Do total de áreas, 11 tiveram a reintegração de posse decretada. Segundo Prochet, os sem-terra se mobilizam constantemente para invadir novas áreas. Ele disse que na noite de quarta-feira ocorreram tentativas de invasão das fazendas Água do Bugre e Lagoa. Eles (os sem-terra) vão continuar invadindo, então por que nós vamos ter que aguardar os 45 dias de trégua estabelecido na reunião?, indagou.
Produtiva Ao contrário do que a Folha noticiou ontem, a fazenda Santa Amélia, de Élcio Beltrame, foi considerada produtiva pelo Incra, e não improdutiva. A propriedade tem 366 alqueires e foi ocupada em 24 de junho.


