Segundo a diretora de Ações em Saúde (DAS) da Secretaria Municipal de Saúde, Brígida Gimenez Carvalho, as UBS são aptas a atender a maioria das emergências clínicas, como crise de hipertensão ou asma. Porém, quem avalia a gravidade do fato são as enfermeiras. ''Se a pessoa chega e diz que está passando mal, a enfermeira faz uma avaliação. Se realmente o problema traz riscos de morte para o paciente, ele passa na frente das outras pessoas. Mas se não, tem que esperar a sua vez, pois, a princípio, todos que estão ali não estão bem.''
Brígida também declarou que se há um caso que não pode ser resolvido na unidade, como intervenções cirúrgicas, ou se há muita demanda no dia, os pacientes são encaminhados para outros pronto atendimentos da região e, em alguns casos, direto para um hospital. Foi o que aconteceu com a dona-de-casa Lourdes de Oliveira, de 47 anos, há três meses. Ela teve cólicas de rim e após passar pela avaliação do médico da UBS do Conjunto Ernani Moura Lima, na Zona Leste, foi encaminhada para o Posto José Belinati, na Área Central. ''Lá eles me encaminharam de novo para o HU (Hospital Universitário), que estava lotado. No final fui atendida no Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema)'', relatou.
Apesar de todo o transtorno a dona-de-casa ainda prefere procurar o posto antes de chegar ao hospital. ''Naquele caso seria mais fácil eu ter esperado no HU, pois mesmo que demorasse tudo poderia ser resolvido naquele dia. Mas com criança pequena a gente não pode ficar o tempo todo esperando por uma vaga'', analisou.
Assim como ela, em caso de consulta, outras pessoas optam primeiro pela UBS. ''Para a minha filha mais velha e para mim as consultas são sempre aqui no posto (do Maria Cecília), já a pequena de sete anos só vai para o Hospital da Zona Norte (HZN) quando sei que não tem pediatra aqui'', afirmou a dona-de-casa Silvana Cristina Silva, de 38 anos. De acordo com a diretora de Ações em Saúde, como todos os pediatras estão alocados em unidades, duas UBS próximas fazem parcerias para que os especialistas não tirem férias no mesmo período. Porém, em alguns casos de licenças a cobertura pode falhar. Como ocorreu na unidade do Ernani Moura Lima, em que o pediatra ficou afastado cinco dias para participar de um congresso e só voltou ao trabalho ontem.
A reportagem também constatou que nas duas Unidades Básicas de Saúde visitadas na manhã de anteontem, muitos pacientes que tinham consultas não compareceram. No Maria Cecília a agenda previa 12 pacientes, mas apenas cinco se apresentaram. Já no Ernani Moura Lima, dos 32 agendados, 22 foram até a unidade no período da manhã. (C.R.)

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