UBS do União já não dá conta da Zona Sul
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terça-feira, 07 de agosto de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A Unidade Básica de Saúde (UBS) 16 horas do Jardim União da Vitória já não é suficiente para atender a demanda da Zona Sul de Londrina, região com mais de 100 mil habitantes. A localização do posto no extremo sul da cidade inibe moradores de bairros mais distantes da própria região, que acabam buscando atendimento no Hospital da Zona Sul (HZS) ou até na Área Central.
''Onde fica esse posto?'', devolve a auxiliar de cozinha Adriana Emídio da Silva, 30 anos, moradora do Jardim Piza, quando indagada pela reportagem da FOLHA sobre a unidade de referência de sua região. Não é por falta de oportunidade que ela desconhece a UBS do União: mãe de três filhos pequenos, entre eles um bebê nascido prematuro, ela busca atendimento médico gratuito com frequência.
''Mas vou ao postinho (do Piza) ou ao HZN, quando é mais urgente. O problema é que no hospital eles geralmente encaminham para o PAI (Pronto-Atendimento Infantil, no Centro), e lá a gente espera de três a quatro horas'', observa a usuária. Moradora do mesmo bairro, a dona-de-casa Adriana dos Santos, 22 anos, diz que ''nem sabe chegar ao União'' e que vai diretamente ao PAI quando os filhos têm gripe e outros problemas de saúde.
A UBS do União da Vitória é uma das duas únicas unidades 16 horas da cidade - a outra fica no Conjunto Maria Cecília (Zona Norte). Além do horário de atendimento estendido, o posto oferece material para casos mais sérios, como equipamento de entubação e medicamentos endovenosos. Também dispõe de médicos plantonistas nos três turnos, enquanto a maioria dos postos 12 horas só possui médicos pela manhã.
Frequentadora da unidade, Elsa Antonia da Silva Soares, 28 anos, residente no Parque das Indústrias (Zona Sul), diz que a qualidade do atendimento na UBS 16 horas é superior à dos demais postos. ''Você não espera muito e só de olhar o médico sabe o que o paciente tem'', opina. ''O problema é a distância. Se pudesse trazer o posto para cá, seria perfeito'', exagera.
A diarista Dilva Ferreira do Nascimento, 36 anos, moradora do Conjunto Saltinho, repete os elogios ao posto - e a crítica à distância. ''É meia hora para chegar a pé e de ônibus não compensa, pois tem que ir até o Terminal Acapulco. Quanto ao atendimento, não tenho do que reclamar'', afirma.
Para o presidente da Associação de Moradores do Jardim Tarobá, Aparecido Ferreira Ramos, a solução seria construir outra unidade 16 horas na região ou prover com unidades 12 horas as microrregiões que não têm nenhum posto. ''Aqui tem o Tarobá, o Atlanta, o Saltinho, o Parque Industrial sem posto de saúde. No nosso bairro, as pessoas idosas se arriscam atravessando a BR-369 para chegar no posto mais próximo, no Ouro Branco'', comenta. ''Quando precisa de atendimento mais complexo, tem que ir ao União. Só que lá, à noite, é complicado encostar o carro'', considera.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, somente no Jardim União da Vitória a população chega a 10,2 mil cidadãos. Em toda a Zona Sul, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o total de habitantes é de quase 101 mil.


