A Secretaria Municipal de Saúde vai interditar a Unidade Básica (UBS) do Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte) para reformas. O estado de conservação do prédio é alvo de críticas da comunidade desde o ano passado e a unidade já foi inclusive citada em um procedimento administrativo aberto pelo Ministério Público (MP) para investigar a falta de medicamentos essenciais. Com paredes rachadas, infiltrações e falhas estruturais, o local coloca os usuários em risco e vai estar fechado a partir da próxima segunda feira.
A interdição foi determinada pela Secretaria depois que as falhas, mostradas pela imprensa desde o começo de 2005, pioraram com as chuvas de fevereiro. Na UBS, as rachaduras tomaram conta das paredes, preocupando funcionários e usuários do sistema público de saúde. Algumas das falhas estão cobertas com avisos de perigo.
''Isso fica perigoso mesmo. Está tudo muito feio. Com as paredes nestas condições, tudo pode acontecer'', disse a dona-de-casa Dirce Leonel, que leva a mãe ao posto duas vezes por mês para consultas. ''A água mina pelo chão do consultório dentário, e há várias frestas que impedem que a higiene seja a ideal. Fizeram uma reforma aqui há menos de um ano, mas está tudo rachado de novo. Foi só maquiagem'', disse um funcionário, que pediu anonimato.
Procurado pela reportagem para esclarecer as condições da última reforma, o secretário de Saúde, Silvio Fernandes, preferiu evitar polêmicas. ''O que determinou a interdição foram questões técnicas. Vamos deixar a polêmica de lado, porque o que deve ser feito vai ser feito'', disse.
Ontem pela manhã, representantes do Conselho de Saúde e Assistência Social da Região Norte de Londrina (Consaslon) visitaram o posto e cobraram da administração municipal mais agilidade para execução das reformas. A resposta deve acontecer na próxima segunda-feira, quando a Secretaria começa a elaborar os editais para licitação das obras, orçadas em R$ 35 mil. Segundo o diretor de ações em saúde da Secretaria, Marcelo Viana, o prazo para entrega do posto reformado é de 120 dias, contados a partir da interdição.
Segundo a enfermeira responsável pelo posto, Adriana Sakama, durante as obras as consultas serão transferidas para os postos do Conjunto Vivi Xavier e Chefe Newton Guimarães, ambos na Zona Norte. Pelo posto, passam cerca de 300 pessoas por dia.
Segundo o promotor Paulo Tavares, a administração mostrou disposição para resolver os problemas. ''Vamos esperar pelos prazos legais para o cumprimento das reformas. O MP tem recursos judiciais suficientes para cobrar agilidade''.

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