Londrina - A nova Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Fraternidade, na zona leste de Londrina, está longe de se tornar realidade e o prédio antigo continua na cabeça dos moradores. E por um péssimo motivo. Inaugurado em 1970, o "postinho" que fica entre as ruas Santa Cecília e Madalena foi desocupado em maio de 2013 porque estava em situação precária. Como o imóvel não foi demolido, virou ponto de encontro para dependentes de drogas e "motel" para prostitutas, segundo a comunidade.
Logo na entrada é possível ver várias garrafas pet e de cerveja jogadas. No alto da escada há latas de refrigerante cortadas e adaptadas para serem utilizadas como cachimbos para o consumo de crack.
A parte superior do imóvel, onde funcionava o posto efetivamente, continua trancada e preservada. O problema é o porão da casa, onde antes habitava um caseiro. Os vidros quebrados da janela indicam o abandono. Uma fuligem preta tomou conta do local devido às fogueiras. Também é possível sentir o cheiro forte de urina.
A dona de casa Rita Caetano reforça que o prédio foi transformado em motel por garotas de programa e travestis. "Dá até vergonha de passar por aqui", lamenta. Liliane Aparecida Santos Pereira destaca que dá medo passar pela antiga UBS porque ficam várias pessoas "mal-encaradas".
A operadora de telemarketing aposentada, Marlene Dias de Oliveira, é uma das líderes da região e acompanhou todo o processo. Ela lembra dos problemas que o prédio apresentava, como goteiras, buracos nas paredes, instalações elétricas expostas, piso inadequado e falta de estrutura para os servidores. "Desde 2008 a gente vinha reclamando da precariedade, mas depois que interditaram a UBS em maio do ano passado eles não fizeram mais nada e isto aqui virou um mocó", reclamou. A UBS da Fraternidade foi a primeira construída no município.
Na última sexta-feira, Marlene e outras três moradoras estiveram reunidas com os secretários municipais de Saúde, Mohamed El Kadri, e de Obras, Sandro Nóbrega, solicitando providências.
El Kadri admitiu que o projeto da nova UBS, que será construída no mesmo terreno, deveria ter ficado pronto em novembro do ano passado. Ele disse que aguarda esta documentação para poder dar andamento aos projetos complementares, ao processo de licitação e também fazer a demolição do prédio atual para, só então, conseguir iniciar as obras. Fazendo as contas, ele estimou que o novo posto de saúde não deve ser inaugurado antes de 2015. A assessora técnica da Diretoria de Planejamento e Gestão em Saúde, Sônia Hutul, afirmou que o montante de R$ 266 mil aprovados em 2011 para a construção continuam disponíveis.
Como medida emergencial, o secretário afirmou que nos próximos dias serão feitas adequações, como a retirada dos alambrados e bancos e de outros objetos que ainda estão no imóvel. Ele também afirmou que vai solicitar à Guarda Municipal para incluir o prédio nas rondas.

Movimento
Enquanto o problema persiste, usuários da Fraternidade são atendidos na UBS da Vila Ricardo. A dona de casa Irene Souza Teixeira, moradora da Fraternidade, reclama da demora no atendimento. Ela destacou que leva de 15 a 20 minutos para percorrer o trecho de 2 quilômetros de ladeira que separa as duas unidades de saúde. Acrescentou que leva mais de duas horas para ser atendida na nova UBS, cuja capacidade é atender 200 pessoas ao dia. O movimento na Vila Ricardo aumentou muito, segundo servidoras que trabalham no local.
Segundo a coordenadora da UBS, Elisangela Bazzo, a unidade é responsável por um público de 20 mil habitantes, sendo que 80% são usuários do Sistema Único de Saúde. Antes da unificação esse público era de 13 mil. (Colaborou Luciano Augusto/Equipe NossoDia)

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