TV pode estimular a agressividade
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quarta-feira, 30 de maio de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
No começo do mês cerca de 30 adolescentes comandaram uma rebelião no Centro de Socioeducação de Londrina (Cense II), destruindo a unidade e fazendo seis colegas e dois educadores de reféns por quase oito horas. Na semana passada, outro grupo de meninos atendidos por um dos projeto sociais da cidade foi parar na 10 Subdivisão Policial depois de detonar duas bombas dentro do ônibus que os transportava. Infelizmente, estes não são casos isolados. Diariamente os veículos de comunicação noticiam o envolvimento de crianças e adolescentes com o mundo do crime. De onde vem tanta violência e tanta insatisfação?
Para a psicóloga Elsie Silva, que tem mestrado na área de personalidade, um dos fatores que contribuem para esta realidade é a exposição excessiva a cenas de violência exibidas nos desenhos animados, filmes, noticiários, jogos eletrônicos, internet e brinquedos. ''Trata-se de uma somatória de fatores, mas é certo que entre os responsáveis por este comportamento agressivo estão a TV e o computador'', alerta Elsie, lembrando que nunca se registrou um índice tão alto de depressão infantil.
''Não podemos esquecer que as crianças não têm senso crítico formado, e portanto são mais vulneráveis a tudo o que vêem. Percebe-se que a agressão se tornou um novo código de comunicação entre os jovens'', atesta a psicóloga. A falta de tempo dos pais para cuidar dos filhos, somada à ausência de senso crítico para perceber os efeitos da má qualidade dos produtos direcionados ao público infanto-juvenil, é o pano de fundo desta cruel realidade. ''Somos alfabetizados para ler e escrever e não para decifrar o que é veiculado na mídia. Não formamos nosso senso crítico e deixamos nossas crianças vulneráveis a programas que abordam violência, sexo e pornografia'', afirma.
Da TV a criança pode extrair elementos da linguagem, o jeito de se vestir e a maneira de se comunicar. É com esses elementos que ela vai brincar, conversar, mostrar afeição e também ficar brava. Infelizmente, segundo Elsie, de tudo isso o que ela mais imita é a agressão. Em entrevista à revista Veja desta semana, o americano Gary E. Knell, diretor do programa infantil Vila Sésamo, lembra que as crianças assimilam informação o tempo todo. ''Elas aprendem desde a hora em que acordam até o momento em que fecham os olhos para dormir. A televisão e outras formas de mídia são professores naturais pelos quais elas têm atração. A questão é saber o que ensinam.''
Para a psicóloga londrinense, o principal caminho para evitar esta exposição excessiva está na atenção dos pais. ''É preciso buscar o equilíbrio. O ideal é que a criança nem fique alheia ao que está acontecendo à sua volta e nem receba informações demais no que diz respeito à violência'', recomenda. Elsie lembra que é responsabilidade dos pais regular e desenvolver nos filhos a auto-regulagem. ''São os pais que devem controlar o tempo que os filhos ficam diante da TV e definir que tipo de programa eles podem assistir, sempre pensando em que tipo de pessoa eles querem formar'', alerta.


