TV atrapalharia nossas orações
TV atrapalharia nossas orações
Simone GirotoIrmã Luíza 47 anos de dedicaçãoIrmã Luíza entrou para o mosteiro carmelita em 1950, no mesmo ano em que o Brasil ganhou sua primeira emissora de televisão, a TV Tupi, em São Paulo. Por isso mesmo, ela mal conhece a novidade. Só podemos assistir programas religiosos, relata. Mesmo assim, não há tempo devido às orações e aos trabalhos de meditação espiritual que são feitos diariamente. Nem a Rede Vida, que pertence à Igreja Católica, é assistida pelas freiras.
Os casos excepcionais são, quase sempre, pronunciamentos do papa João Paulo II. Quando o papa vier ao Rio de Janeiro, iremos acompanhar pela televisão, frisa a irmã. Será uma das raras oportunidades em que o aparelho de TV do mosteiro será ligado. Irmã Luíza, por exemplo, numa viu uma novela, mas ouviu dizer que elas são difamantes.
Folha - Por que a senhora entrou para a ordem das irmãs carmelitas?
Irmã Luíza - Por amor a Deus. Queria amar exclusivamente a Jesus.
Folha - Qual foi a reação da sua família?
Irmã Luíza - Meus pais não queriam, mas eu estava decidida. Era um carmelo ou nada. Depois, eles acabaram entendendo.
Folha - As irmãs nunca saem do mosteiro?
Irmã Luíza - Só quando precisam, como ir ao médico ou ao dentista. Ficamos meses sem sair daqui.
Folha - Como a senhora faz compras?
Irmã Luíza - Fazemos os pedidos por telefone e o mercado traz até aqui. Eles têm interesse em vender e nos ajudam.
Folha - A senhora já assistiu televisão?
Irmã Luíza - Só podemos ver programas religiosos. Mesmo assim, não temos tempo.
Folha - A irmãs assistem a Rede Vida?
Irma Luíza - A televisão só atrapalharia nossas orações. Assistimos apenas programas excepcionais. Quando o papa visitar o Rio de Janeiro, por exemplo, vamos acompanhar.
Folha - A senhora nunca assistiu um capítulo de novela?
Irmã Luíza - Não, mas as pessoas nos contam como é. Acho ruim que as novelas sejam assim, tão difamantes.
Folha - Nem o jornal a senhora pode assistir?
Irmã Luíza - Não temos tempo. Acho que não perdemos nada por não acompanharmos os jornais. O mais importante a gente fica sabendo.
Folha - E música, as senhoras ouvem?
Irmã Luíza - Ouvimos músicas religiosas. Cantamos também. Temos um órgão e uma irmã que é professora de música. Se a música não tiver nada de profano, também pode ser ouvida, mas não temos tempo.
Folha - As irmãs carmelitas votam?
Irmã Luíza - Sim.
Folha - Como as senhoras fazem para escolher os candidatos?
Irmã Luíza - Ouvimos conselhos de pessoas amigas. Elas nos contam quem pode ser o melhor governante.
Folha - As irmãs têm férias?
Irmã Luíza - Não.
Folha - E tem aposentadoria?
Irmã Luíza - Eu tenho porque paguei o INPS (atual INSS) desde os 19 anos. Agora ficamos sabendo que o governo quer aumentar a idade para se aposentar para 65 ou 70 anos. Acho demais.
Folha - A senhora acha que vale a pena tanta abstinência?
Irmã Luíza - Sou feliz no carmelo e gostaria que todos tivessem a felicidade que tenho. A felicidade está em Deus e não numa festa. A festa termina e fica um vazio. Já Deus é felicidade e preenche nossos corações.





