Turra defende entrosamento
entre elos de cadeias produtivas
O ex-ministro da Agricultura – hoje consultor de agronegócios no Rio Grande do Sul –, Francisco Sérgio Turra, é bastante otimista com relação ao futuro da agropecuária no Brasil. Mas para chegar a um posição confortável, ele considera que o setor tem que superar o ‘‘descasamento existente entre o campo e o mercado’’. ‘‘Este é um dos grandes males. Temos que ter um maior entrosamento entre produção, indústria e mercado’’, diz.
Segundo ele, os produtores de uva do Rio Grande do Sul conseguiram um salto de qualidade na produção, após ouvir o mercado e saber a expectativa dos consumidores. ‘‘Hoje, as parreiras são cultivadas de forma a produzir o vinho que venha ao encontro com o que o consumidor deseja. Turra também considera que o País tem que dar um grande passo para se ajustar à economia globalizada, mesmo porque não estava tecnologicamente preparado para essa nova realidade.
‘‘Mas temos vantagens comparativas fantásticas: temos solo, espaço, biodiversidade e ainda temos 20% das reservas de água doce do mundo’’, comenta, acrescentando que o país tem condições para duas ou três safras por ano de culturas diversas. Reconhecendo a deficiência tecnológica, o ex-ministro defende o maior planejamento da propriedade, seja ela pequena, média ou grande. Ele ainda ressalta ser importante o Zoneamento Agrícola do Brasil, que está em fase de conclusão no Ministério da Agricultura, além do planejamento regional, feito com base em pesquisas de solo, clima etc.
Na opinião de Turra, o Brasil precisa olhar sua agricultura não estaticamente, e sim toda a cadeia produtiva. ‘‘Sem isso, não há renda’’, sentencia. As mudanças, no entanto, estão ocorrendo, na opinião dele. ‘‘Acredito que esteja ocorrendo uma revolução silenciosa no campo, por meio de discussões como esta que está ocorrendo hoje (ontem) em Londrina. (B.B.)

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