Turminha Pequenos Corações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Ao escutar o coraçãozinho da pequena Mariana, o pediatra percebeu que algo estava errado. Pediu silêncio no quarto, ouviu novamente os batimentos cardíacos e avisou que a bebê não teria alta médica. "Chorei o resto do dia", lembra emocionada a mãe Paula Vedove. Mariana, com poucos dias de vida, já possuía uma cardiopatia congênita. O pequeno coração não funcionava como deveria.
Esta cena se repete com frequência nos hospitais de todo o país. O desespero das famílias ao serem comunicadas sobre os vários tipos de cardiopatias levaram as mães da Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações a idealizarem uma cartilha informativa com orientações básicas sobre o assunto. O material traz informações sobre o funcionamento do coração, os cuidados especiais que devem ser adotados no dia a dia das crianças e o passo a passo dos sintomas até o diagnóstico.
A cartilha foi revisada pela cardiologista pediátrica Márcia Thomson. A médica, que atua em Londrina, considera a publicação uma vitória das famílias. "A ideia desse material é amenizar a dor e dizer a essas famílias que elas vão vencer. Muitas delas nunca ouviram falar em cardiopatia e se sentem muito sozinhas no momento do diagnóstico. Por que comigo? Por que meu filho?", destaca Márcia.
Segundo a cardiologista, um em cada cem bebês nasce com algum tipo de cardiopatia no Brasil. Desse total, 30% correspondem a casos graves. Tratamentos avançados e novas técnicas de cirurgia aumentam as chances de recuperação das crianças, mas as informações não chegam da forma correta a todos os pais.
"Nesta semana, nasceu um bebê com cardiopatia que os pais já sabiam do diagnóstico e se preparavam para a cirurgia. No mesmo momento, um outro bebê com três dias foi diagnosticado e a família ficou muito mais abalada. As duas se encontraram na porta da UTI. É sempre uma situação difícil. Quando a gente perde a emoção, é sinal que está na hora de parar de fazer o que faz. Eu não acredito na medicina robótica. Para mim, não é fácil dar a notícia", confessa Márcia.
O diagnóstico precoce depende de exames que devem ser feitos a partir do 5º mês de gestação. O ultrassom morfológico aponta como está o desenvolvimento dos órgãos internos. Em alguns casos, também é indicada a realização do ecocardiograma fetal. Os dois exames são ofertados pelo SUS. Após o nascimento, os bebês passam pelo teste do coraçãozinho, que também detecta cardiopatias. "Não existe cardiopatia sem tratamento", alerta a médica.
APOIO
Com o apoio da família e dos amigos, a mãe da pequena Mariana se recuperou do susto inicial, buscou informações e enfrentou a cirurgia cardíaca da filha um ano e meio após o diagnóstico. O procedimento foi delicado. "A gente tira forças de onde nem imagina. Eu procurava não chorar perto dela", relata.
A menina se desenvolveu como qualquer outra criança e cresceu agitada, comunicativa e com muitos sonhos. "Eu gosto de ficar na piscina e de desenhar e quero ser cientista ou dentista ou médica", comenta Mariana, hoje com sete anos.
"Eu só espero que, a partir de agora, as mães tenham mais acesso as informações corretas sobre o diagnóstico e o tratamento", destaca Paula, que tem outra filha, Manoela, de quatro anos.
Os 30 mil exemplares da cartilha serão distribuídos de forma gratuita em todo o país. O material também está disponível no site www.pequenoscoracoes.com/site/guia-cardiopatia.pdf.
SERVIÇO
Neste sábado, a Pequenos Corações realiza uma "Feijoada Beneficente" no Bar e Restaurante Da Silva, em Londrina. A intenção é arrecadar recursos para dar continuidade aos trabalhos realizados em todo o país. Mais informações pelo fone (43) 3324-8889.


