Trinta e sete alunos da 8ª série do ensino fundamental noturno do Colégio Estadual Dario Vellozo, no Jardim Presidente (zona oeste de Londrina), estão revoltados com o cancelamento da turma, ocorrida na noite de segunda-feira, sem aviso prévio. Segundo os alunos, aquele seria o primeiro dia de aula mas, ainda antes do início das atividades, receberam um comunicado da direção da escola afirmando que a turma seria cancelada e que eles deveriam procurar outra escola.
Segundo o frentista Josemiro André de Souza Filho, 23 anos, um dos mais revoltados com a situação, a escola efetuou sua matrícula ainda na segunda-feira. ‘‘Eu havia me informado antes e eles disseram que estava confirmada a turma noturna. Como, horas depois, eles cancelam assim, sem mais nem menos?’’, questionou. ‘‘Eles disseram que a ordem veio do Núcleo (Núcleo Regional de Educação – NRE), que não podiam manter uma turma só com alunos maiores de 18 anos e que era para procurar um supletivo. Mas e se eu não quero fazer supletivo? Sou obrigado? E também não quero uma escola longe da minha casa. Ali, eu ia ficar apenas a 500 metros do local onde eu moro’’, apontou.
Para Aline Fonseca de Oliveira, 16 anos, outra estudante da sala, a situação foi ainda mais grave. Matriculada na 8ª série matutina, foi estimulada a trocar de período. ‘‘Como de manhã tinha muita gente, eles falaram que quem quisesse passar para noite podia fazê-lo, já que teria uma turma. Eu achei melhor porque tenho que cuidar da casa e de meu sobrinho. E acontece isto. Como vou fazer agora?’’, questionou.
A auxiliar de enfermagem Andréia Aparecida Gomes, 24 anos, também estava indignada com a situação. Segundo ela, seu irmão Carlos Eduardo Gomes da Silva, 17 anos, ficou sem condições de estudar. ‘‘Ele já era aluno da escola há vários anos e no final do ano passado fizemos a matrícula dele para o período noturno, já que ele tinha arrumado um emprego. Agora, como fica? Que critérios são estes, que só os menores de 18 anos podem ter uma classe eletiva?’’, disse.
Segundo a diretora do Dario Vellozo, Arlete Bornia, o que aconteceu foi um erro de informação entre a escola e o NRE. ‘‘A minha secretária esteve no Núcleo para acertar detalhes sobre a formação de uma classe de oitava série noturna. E a chefe do Núcleo, professora Genoveva (Maria Genoveva Belucci), disse que era para levar a relação de alunos que seria autorizado. A minha secretária entendeu que estaria já autorizado e começamos a fazer matrículas’’, contou. O problema, porém, aconteceu quando a relação de alunos foi entregue. ‘‘Como só tinha dois menores de 18 anos entre os 37 alunos, a classe não foi autorizada. Eu passei a segunda-feira toda no Núcleo tentando reverter a decisão, mas não foi possível’’, explicou.
Segundo ela, o governo tem interesse em acelerar o ensino para quem está atrasado e, por isto, está estimulando o ingresso em salas de supletivo. ‘‘Na verdade, está praticamente obrigando o pessoal a recorrer a supletivos, já que não oferece condições para os mais velhos fazer o ensino regular’’, lamentou. De acordo com Arlete Bornia, os alunos menores terão toda a assistência do colégio. ‘‘Mas, infelizmente, os outros terão que procurar outras escolas. Acho uma pena porque eu, aqui, tenho toda a estrutura, tenho salas vagas e professores dispostos a trabalhar. Além disso, sou da opinião que, se eles estão motivados, querendo estudar, temos que incentivar isto’’, disse.