Previsão é que para o ano 2000 mais de 200 faculdades em todo Brasil ofereçam o curso aos vestibulandos
Mauro FrassonMERCADOO coordenador do curso de Turismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Miguel Bahl, diz que a oferta de empregos tende a diminuir nos próximos anos

Rubens Burigo Neto
De Curitiba

A perspectiva otimista para o crescimento da indústria do turismo no Brasil e no mundo está aumentando a oferta de cursos para a formação da mão-de-obra utilizada no setor. Segundo a Embratur, até o ano passado, 49 instituições de ensino superior públicas e particulares ofereciam o curso de bacharelado em turismo. Em 1999 este número passou para 143 e, para o ano 2000, a estimativa é de que mais de 200 universidades (80% delas, privadas) deverão começar a formar novos profissionais.
Os candidatos a uma vaga nas universidades estão de olho num mercado que, segundo informação da Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (ABAV), faturou 38 bilhões de dólares no ano passado, empregando mais de 5 milhões de pessoas. Nos últimos anos o setor turístico só não está gerando mais empregos do que a indústria automobilística, que vem apresentando declínio no número de vagas. A Associação Brasileira dos Bacharéis em Turismo calcula que, dos 50 mil formados, apenas 5% estão atuando na área.
Apesar de apresentar um perfil tentador, o setor turístico exige que seus futuros profissionais tenham algumas qualidades básicas para não sofrer qualquer revés: fluência em pelo menos duas línguas estrangeiras (Inglês e Espanhol, principalmente), domínio completo em informática e boa capacidade de comunicação. ‘‘Ainda existe demanda por profissionais no mercado, mas, com o aumento dos curso nas universidades, a oferta de empregos tende a diminuir nos próximos três ou quatro anos’’, acredita o coordenador do curso de Turismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Miguel Bahl. O curso da UFPR existe desde 1978 e é um dos mais antigos do País.
Neste ano começaram as aulas na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), na Universidade Tuiuti, no Centro Universitário Positivo (UnicemP) e na Uniandrade. Além das universidades, algumas escolas particulares e o Senac (leia ao lado) também oferecem cursos profissionalizantes ou de especialização na área.
No próximo vestibular da UFPR, o curso de Turismo superou ‘‘concorrentes’’ tradicionais como Medicina e Odontologia e foi o mais procurado pelos candidatos. A disputa vai ser apertada, com 34,6 concorrentes para cada uma das 44 vagas ofertadas. Em 1995, este índice era de apenas 11,3 candidato por vaga. ‘‘Optei por Turismo porque é algo que eu gosto e que também tem um mercado de trabalho bastante aberto’’, justificou Manuel Navroski, 18. Ela, que se disse influenciada por uma prima que se formou bacharel neste ano, vai fazer os vestibulares da UFPR e da PUC-PR.

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