Túnel deverá ficar pronto em março
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de dezembro de 1996
Marcos Zanatta Sucursal de Maringá 
A principal obra do Novo Centro de Maringá, o túnel ferroviário com mais de mil metros de extensão, está com toda estrutura de concreto armado pronta. Até março, os trens deverão estar passando pelos trilhos rebaixados, acabando com a interrupção do tráfego de veículos pelas principais avenidas do centro de Maringá. O túnel ferroviário, que exigiu investimentos de R$ 21 milhões e outras tantas obras periféricas, é apenas mais uma etapa do Novo Centro da cidade.
O projeto nasceu há mais de 10 anos, quando o crescimento de Maringá exigia a retirada do pátio de manobras do centro. As composições faziam a troca de vagões no trecho e, às vezes, interrompiam o trânsito entre o centro e a zona Norte por até 15 minutos. O ponto mais crítico era a transposição da linha férrea com a Avenida Paraná, principal acesso para o campus da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A alternativa era a Avenida São Paulo, onde foi construído o único viaduto na passagem de linha.
Os primeiros documentos e projetos para a retirada do pátio de manobras da RFFSA são da administração anterior do prefeito Said Ferreira (sem partido), entre 1983 a 1988. A prefeitura conseguiu uma área com mais de 400 mil metros quadrados, onde funcionava um dos almoxarifados da Itaipu Binacional, na saída para Campo Mourão. O prefeito Ricardo Barros, iniciou então o projeto de transferência do pátio de manobras, entre 1991 e 1992.
Combustíveis Com a saída das operações de manobras do centro, a prefeitura incentivou as empresas de combustíveis a se instalar na divisa com Sarandi (7 km a leste de Maringá). O pátio de inflamáveis hoje permite que os vagões de combustíveis descarreguem o produto sem passar pela cidade, dando mais segurança às áreas cortadas pelos trilhos.
A liberação da área, de 210 mil metros quadrados, levou o município criar a Urbamar, empresa pública encarregada de urbanizar onde existia o pátio de manobras. O local passou a ser chamado de Novo Centro e a administração encomendou ao arquiteto Oscar Niemayer o projeto Ágora, para ocupação total da área. As primeiras obras no antigo pátio de manobras foram iniciadas pelo prefeito Ricardo Barros.
Prolongamentos O primeiro passo foi a ratirada da vila dos ferroviários, liberando a área onde foi construída a avenida projetada, cortando todo o Novo Centro entre as avenidas Paraná e Herval. A Urbamar fez ainda o prolongamento das avenidas Duque de Caxias e Herval e mais recentemente da Rua Piratininga. Antes, apenas duas avenidas passavam pelos trilhos na área do pátio de manobras.
Com a mudança de administração e a volta de Said Ferreira ao cargo, o Ágora de Niemayer foi abandonado e substituído pelo projeto Novo Centro. A principal obra do projeto é o túnel ferroviário, de 1.050 metros de extensão, que exigiu o rebaixamento de mais de 4 mil metros de trilhos. É o maior túnel ferroviário do Sul do País, explica a engenheira Jocelei Menon, diretora técnica da Urbamar.
Desvio No final do ano passado, começaram as obras do túnel, com o desvio dos trilhos entre as avenidas 19 de dezembro e Tuiuti, trecho de 4,5 mil metros. Na área do Novo Centro foi escavado o leito do túnel a uma profundidade inicial de três metros. Nos dois lados da obra foram instalados 1.265 tubulões de 13,20 metros, que vão sustentar o piso do túnel. O projeto prevê uma avenida sobre o túnel. Para suportar o peso, foram instaladas 633 vigas de concreto armado, cada uma com um peso aproximado de 15 toneladas.
A Cesbe, de Curitiba, construtora responsável pela obra, foi obrigada a instalar uma fábrica de pré-moldados em concreto no canteiro de obras. A construção do túnel, calcula Jocelei, consumiu mais de 16 mil peças de concreto, todas produzidas no local. Com toda estrutura pronta, agora está sendo feita a escavação de mais cinco metros dentro do túnel, atingindo a altura exigida pela RFFSA, de 6,75 metros.
Pelos cálculos da engenheira, já foram movimentados mais de 22 mil caminhões de terra para as obras do túnel. Até o final da construção, ela acredita que sejam mais de 30 mil carregamentos. Outra medida que impressiona é a largura do túnel, 17 metros, que vai permitir a passagem de três linhas férreas. O normal em túnel é apenas uma linha, mas o projeto do Novo Centro prevê a instalação de um metrô de superfície, que pode ser instalado no futuro, explica o presidente da Urbamar, Jorge Tranjan. O metrô fará a ligação entre Maringá, Paiçandu, Sarandi e Marialva.


