A tensão aumentou no 2º Distrito Policial (DP) de Londrina e só tende a piorar. Ontem, dois dias depois de um princípio de rebelião e uma tentativa de fuga, a polícia encontrou um novo túnel cavado pelos detentos. Dezenas de familiares que foram visitar os presos os primeiros chegaram às 4 horas da manhã foram impedidos de entrar e se aglomeraram, revoltados, em frente à unidade, que fica na Zona Leste.
''Meu filho está preso há dez meses porque furtou R$ 4,00 de um hotel, dinheiro que eu mesmo fiz questão de devolver. Ele não precisava estar aí ainda. Os políticos que roubaram milhões do povo estão soltos'', protestou Alcides Guergoleto, 58.
Além de reclamar de uma suposta falta de sensibilidade dos promotores e juízes para analisar caso a caso, os parentes se queixaram do grande número de presos já condenados que continuam na detenção provisória. ''Faz um ano e dois meses que meu marido está aí nessas condições. É muita injustiça. Tem mais é que tentar fugir mesmo'', manifestou Kelly Cristina Evangelista, 27 anos.
Os visitantes também reiteraram as queixas contra a insalubridade que tomou conta do 2º DP, a exemplo dos demais distritos, e que tem agravado doenças de pele entre os presos. ''A gente corre o risco de pegar doenças aqui e passar para as crianças em casa'', levantou Eva Durães de Lima e Silva, 36, enquanto um policial civil saía do distrito de mãos vestidas com luvas.
O delegado do 2º DP, Marcos Fontes, confirmou que grande parte dos detentos está sofrendo de escabiose (mais conhecida como ''sarna'') e disse que, apesar de estarem sendo medicados, as condições precárias da carceragem levam à constante reinfestação. ''Como não temos espaço adequado para esse número de pessoas (250 para 64 vagas), não temos condições de isolar os doentes, trocar colchões, ferver todas as roupas. Postulamos a colocação de um médico para visitar os presos pelo menos uma vez por semana, mas a Secretaria Municipal de Saúde não atendeu à solicitação'', citou o delegado.
Segundo Fontes, desde o ano passado o pedido vem sendo feito por meio de ofícios enviados à secretaria. O problema também foi comunicado ao Ministério Público (MP) e à Vara de Execuções Penais (VEP). Sem nenhum retorno, a doença continua se proliferando e já foi contraída por uma investigadora de polícia. A reportagem questionou a secretaria de Saúde, que prometeu verificar o fato mas não deu retorno até o fechamento da edição.
Sobre a superlotação, o delegado ressaltou que só o novo Centro de Detenção irá aliviar o problema, mas não resolvê-lo. ''É um problema social. Você pode criar mais estabelecimentos prisionais e eles vão continuar enchendo. E não acredito que o novo Centro de Detenção vá receber todos os nossos presos de uma vez'', observou.
As celas-conteineres, prometidas pelo governo para serem instaladas no 2º DP, devem chegar ''até abril'', de acordo com Fontes. A instalação das mesmas exige mudanças na rede de água, luz e esgoto da unidade, que ainda nem começaram a ser feitas.

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