Operários da secretaria municipal de Obras isolaram, ontem de manhã, a calçada do Terminal Urbano para iniciar as obras de reforma na Rua Benjamin Constant. Ambulantes que trabalham vendendo lanches no local resistiram à colocação dos tapumes e houve um princípio de tumulto. A Polícia Militar (PM) foi chamada, mas não precisou intervir.
Depois de muita negociação, os vendedores dispuseram-se a suspender o comércio de lanches durante o domingo para que os operários fizessem o isolamento com madeiras e fitas, mas sem utilizar os tapumes. Hoje, representantes dos ambulantes, da secretaria de Obras e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) se reúnem novamente para tentar chegar a um consenso sobre o prosseguimento das obras.
De acordo com Agnaldo Rosa, assessor da secretaria de Obras, o objetivo inicial da prefeitura é conseguir finalizar a reforma. ''Depois vamos discutir a permanência no Terminal. A posição do prefeito Barbosa Neto é utilizar o diálogo até a exaustão'', disse, reforçando que a situação dos 280 vendedores que trabalham no centro de Londrina será discutida caso a caso. Segundo ele, serão buscadas alternativas para os trabalhadores, mas não haverá tolerância com relação a pessoas que arrendam carrinhos ou especulam através do comércio.
O advogado que representa os ambulantes, Gerson da Silva, avaliou como positivo o desfecho do conflito de ontem. ''A diferença é que, dessa vez, houve demonstração de uma vontade de negociar'', disse. Na reunião marcada para hoje, a intenção dos ambulantes é propor que a paralisação do comércio de lanches seja feita por partes, até a conclusão da reforma.
Sobre a permanência dos ambulantes, a despeito das decisões judiciais que determinaram a saída do grupo do Terminal, o advogado afirmou que, ''se é uma decisão judicial, que se cumpra pelos meios legais''. Logo depois, no entanto, argumentou que a discussão é de uma questão social e não de um caso de polícia. ''O poder público acertou ao abrir negocição, pois se trata de questão social'', reforçou.
Essa foi a quarta vez que a prefeitura tentou retirar os 18 vendedores de lanches que atuam nas calçadas do Terminal. A saída dos comerciantes foi determinada em atendimento a uma ação da promotora de Defesa das Pessoas Portadoras de Deficiência de Londrina, Solange Novaes Vicentin, que cobrou ações de acessibilidade por parte do poder público aos portadores de deficiência que passam pelo Terminal. Até agora foram reformadas as calçadas das ruas São Paulo e Professor João Cândido.

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