Imagem ilustrativa da imagem Túmulos são violados no Cemitério São Pedro
| Foto: Simoni Saris



Vândalos destruíram onze túmulos do Cemitério São Pedro, na região central de Londrina, na noite de sexta-feira para sábado (23). Eles invadiram o local e abriram os jazigos, mas não há indícios de que tenha ocorrido violação de cadáveres. Esta foi a segunda vez em uma semana que o cemitério é invadido durante a noite. Na sexta-feira (15), dois túmulos onde estavam sepultados os corpos de duas mulheres também foram violados e houve suspeita de necrofilia.

O crime foi percebido pelos funcionários no início da manhã de sábado, quando chegaram para trabalhar. Os túmulos danificados ficam todos à esquerda da avenida principal do cemitério, desde o portão da avenida Juscelino Kubitschek até o acesso pela rua Alagoas "Na semana passada, os túmulos violados eram de mulheres. Dessa vez, foi aleatório e os cadáveres sepultados eram de ambos os sexos. Não escolheram túmulos para abrir. Inclusive, tem cadáver que está só a ossada", relatou o superintendente da Acesf (Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários), Leonilso Jaqueta. "Esse ato foi praticado por pelo menos três a quatro pessoas. Para conseguir quebrar os túmulos, tem que ser com marreta."

Durante a manhã, o cemitério ficou fechado aos visitantes e peritos do IML (Instituto Médico Legal), policiais civis e guardas municipais permaneceram no local para fazer o levantamento da ocorrência e recolher material que possa levar à identificação dos autores do crime. Eles não falaram com a imprensa, mas informalmente, um funcionário do IML confirmou que os danos foram apenas patrimoniais, nenhum caixão foi retirado da sepultura e comentou que a única possibilidade de encontrar digitais é nos azulejos que revestem os túmulos. "Fizemos o boletim de ocorrência, chamamos a polícia e avisamos os proprietários dos jazigos. Será feito um laudo", disse Jaqueta. O laudo da ocorrência do dia 15, quando houve suspeita de necrofilia, ainda não foi concluído.

O cemitério São Pedro não tem vigilância noturna nem câmeras de segurança. Na Acesf (Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários) existe projeto para construir um portal no acesso pela avenida Juscelino Kubitschek, aumentar os muros, melhorar a iluminação com lâmpadas de LED e instalar câmeras de segurança, mas o superintendente do órgão, Leonilso Jaqueta, disse que a execução esbarra na burocracia, que exige licitação para compra de equipamentos e contratação de serviços. Melhorias também serão feitas nos cemitérios João XXIII, no jardim Higienópolis (região central), e Padre Anchieta, no jardim Ideal (zona leste). Os investimentos passam de R$ 1 milhão. "Vamos fazer todas as melhorias, mas para o bandido, tudo isso é pouco. Quem sai de casa para cometer um ato desse não é um muro alto que vai impedir. Uma pessoa dessa é capaz de tudo. Podem pular o muro, quebrar os túmulos, cortar a fiação", disse Jaqueta.

Assim que soube do ocorrido, a dona de casa Ducilene Aparecida dos Santos correu para o Cemitério São Pedro na companhia do marido. Há seis meses, o casal sepultou o filho de um ano de idade e o medo da mãe é ver o corpo da criança violado. "A gente não tem paz nem depois da morte. Em menos de uma semana entraram de novo aqui no cemitério, não tem segurança. Como vai ser na semana que vem? Vim chorando para cá porque morro de medo de ver o túmulo onde meu filho foi sepultado arrombado. A gente nem se refez da dor da perda ainda. A Acesf tem que melhorar a segurança, colocar a guarda municipal aqui", cobrou. Santos ficou aliviada ao constatar que os vândalos não danificaram o túmulo do filho.

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