Três túmulos do Cemitério Jardim da Saudade, localizado na zona norte de Londrina, foram violados entre a noite de terça-feira e a madrugada de ontem. Esta é a terceira vez em quatro anos que o cemitério é alvo deste tipo de crime. Os três túmulos tiveram as lajes removidas, os caixões abertos e mexidos. Um deles estava vazio; outro tinha o corpo de um homem, enterrado em outubro e em adiantado estado de decomposição, que não chegou a ser manipulado. No terceiro, o corpo de uma mulher de 38 anos, sepultado em agosto, foi removido do caixão. Há suspeita de que o violador tenha mantido relações sexuais com o cadáver.
Os três túmulos violados se encontram nas últimas fileiras do cemitério, onde não há iluminação. As sepulturas fazem limite com uma área onde há mato. O Jardim da Saudade é o maior cemitério municipal de Londrina - tem uma área de cinco alqueires.
Mario CesarFamiliares reclamam da falta de iluminação e de policiamento: ‘‘Nem os mortos têm segurança’’A violação dos túmulos foi descoberta por volta das 7h30 de ontem pelo auxiliar de serviços gerais da Acesf, Ricardo Reis. Assim que chegam ao cemitério, os funcionários fazem uma ronda para vistoriar os túmulos. Reis foi o primeiro a ver o corpo da mulher sobre o túmulo. Ele foi retirado do caixão e colocado sobre a sepultura vizinha.
Apesar de o corpo estar em adiantado estado de decomposição, a posição do cadáver e marcas sobre a laje indicam que o violador manteve relação anal com o cadáver. O médico-legista do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, Miguel Ioneda, esteve no local para colher material e verificar se o caso é de necrofilia - perversão sexual que leva a pessoa a gostar da proximidade física com cadáveres e a manter relação sexual com mortos.
Há uma semana, na madrugada do dia 25 para o dia 26, três túmulos do Jardim da Saudade foram violados e dois cadáveres mutilados. Os órgãos sexuais de dois homens foram retirados. Na primeira vez, há quatro anos, houve necrofilia.
O delegado do 5º Distrito Policial (DP), na zona norte, Jorge Barbosa, acredita na possibilidade de os violadores serem os mesmos que agiram na semana passada. ‘‘Há indícios de que o interesse de quem violou era a busca de órgãos sexuais’’, comentou. No túmulo onde estava o corpo de um homem, o violador rasgou apenas os restos das roupas que cobriam a região pélvica, onde ficam os órgãos sexuais’’.
O perito José Denilson dos Santos, do Instituto de Criminalística de Londrina, esteve no cemitério. ‘‘Apesar de o criminoso ter deixado manchas das mãos na laje do túmulo, a superfície porosa impede a coleta das digitais. A única coisa que se pôde perceber é que a pessoa não usou luvas’’, adiantou. O laudo deverá ser encaminhado para a polícia nos próximos dias.
A polícia começou a ouvir os depoimentos de funcionários sobre a violação ocorrida na semana passada. ‘‘Vamos dar continuidade às investigações da semana passada e ouvir outras pessoas sobre a violação desta madrugada. Vamos precisar da ajuda da comunidade’’, afirmou Barbosa.
O delegado pede para quem tiver pistas sobre o autor do crime que apresente denúncia. Até ontem a polícia ainda não tinha qualquer pista sobre o caso.Mario CesarDe novoUma das sepulturas do Jardim da Saudade que foram violadas: laje removida e caixão abertoCélia Baroni

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