A polícia de Jandaia do Sul (22 km a oeste de Apucarana) investiga a violação do túmulo de uma mulher que havia sido sepultada nesta semana no Cemitério Municipal. O corpo foi encontrado ontem às 6 horas, numa das passarelas do cemitério, por funcionários. Para a polícia, é um caso de necrofilia (pessoas que têm atração sexual por cadáveres).
Segundo o delegado de Jandaia do Sul, Gustavo Tucci Nogueira, o levantamento de informações no cemitério indica que o corpo foi retirado do caixão, despido e arrastado por cerca de 30 metros. ‘‘A umidade do cadáver, que estava bem próximo de uma torneira, também indica o corpo foi lavado’’, contou o delegado.
Nogueira determinou que o cadáver fosse encaminhado para exames no Instituto Médico-Legal (IML) de Apucarana. O objetivo era confirmar se ocorreu violação sexual, mas o laudo emitido ainda ontem pelo IML negou essa possibilidade. Gustavo Nogueira disse que o crime causou constrangimento à família e revolta na cidade.
O ponto de partida das investigações é o levantamento dos nomes de todas as pessoas que estiveram presentes no sepultamento desta semana. Depois disso, a polícia pretende investigar os prováveis suspeitos.
‘‘Quem violou o túmulo sabia o local exato do sepultamento’’, explicou o delegado, acrescentando que tratava-se de um túmulo simples e sem identificação. Outro detalhe que reforça a hipótese é que, à noite, não existe qualquer tipo de iluminação no cemitério.
Familiares manifestaram-se ontem constrangidos e revoltados com a violação da sepultura, e exigiram providências da polícia. Um parente revelou que a mãe da pessoa morta passou mal e teve que ser medicada. ‘‘Toda a família está desorientada e indignada com a falta de respeito e violência que foi praticada’’, afirmou o parente. Segundo o parente da vítima, a mulher morta perdeu o marido há cerca de um ano, vítima de complicações provocadas pelo vírus HIV. A mulher morreu com tuberculose.
O delegado esclareceu que a violação do túmulo é enquadrada como crime, previsto no artigo 212 do Código Penal, como ‘‘delito de vilipêndio de cadáver’’. A pena pelo crime é de um a três anos de prisão.
Pelo menos nos últimos 16 anos, conforme averiguação realizada ontem pelo escrivão Cleidson Florêncio dos Santos, não existe qualquer registro de fato semelhante na delegacia de Jandaia do Sul.Odair StralliottiVilipêndioO corpo foi examinado pelo IML e foi constatado que não houve violência sexual; família está constrangida e a população, revoltadaMaurício Borges

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