Milhares de pessoas lotaram os cemitérios de Londrina, ontem, no Dia de Finados. A expectativa era que até o final do dia mais de 200 mil visitassem os 100 mil túmulos da cidade. No Cemitério São Pedro, na Área Central, mais uma vez um dos túmulos mais visitados foi o do menino José Oswaldo Schietti. Morto em 1950 em um acidente de carro, uma semana antes de sua primeira comunhão, ele ficou conhecido como ''o menino dos milagres''.
''O pessoal recebe muita graça, por isso vem aqui'', disse a cabeleireira Mercedes Peres, de 53 anos, que levou velas no túmulo do menino. Já o serralheiro Laércio Dela Rosa, de 45 anos, foi cumprir um ritual que completou cinco anos. ''Estou vindo agradecer uma graça que minha esposa recebeu. Já é o quinto ano'', afirmou.
Neste ano, os cinco cemitérios gerenciados pela Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) tiveram computadores para auxiliar na localização de sepulturas. Mais de 60 funcionários da Acesf trabalharam em ritmo acelerado durante a semana para garantir que tudo estivesse pronto ontem. ''Os últimos 15 dias foram de trabalho duro para providenciar a limpeza dos cemitérios e a pintura do meio-fio'', disse o assistente administrativo da Acesf, Carmo Manelito.
No Cemitério João XXIII, na Área Central, a aposentada Valdomira Fernandes, de 63 anos, aproveitou o bom tempo para visitar cedo os túmulos do pai, marido e cunhados. ''Venho todo ano, é tradição, e é melhor vir cedo'', disse. Opinião compartilhada com a ajudante de cozinha Ivane Maria dos Santos, de 30 anos, que pretendia descansar à tarde, depois da visita ao cemitério Parque das Oliveiras, no Aeroporto (Zona Leste). ''É bom vir cedo porque você aproveita o resto do feriado. Meu pessoal é de Ibiporã, mas como não pude ir lá, vim com a minha mãe e a minha filha no cruzeiro'', disse.
Para o desempregado Roberto da Silva, de 32 anos, a visita ao cruzeiro do Cemitério Parque das Oliveiras foi mais que prestar homenagens aos parentes mortos, mas aproveitar a ocasião para ensinar à filha Isabela, de 7 anos, sobre a vida e a morte. ''Ela tem que saber que a morte existe, que Deus tem um lugar reservado para nós. É a primeira vez que ela vem e está muito curiosa.''
No cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte, alguns ambulantes comemoravam as boas vendas de flores. A artesã Valdelice dos Santos produziu flores e coroas de plástico e estava animada com as vendas. ''As vendas estão 'boazinhas', melhor que no ano passado. Para mim, isso é uma renda a mais'', ressaltou.
A venda de flores naturais também foi boa, segundo a ambulante Marisa Fernandes, apesar dos preços (R$ 4,00 por flores grandes e R$ 5,00 por duas pequenas). ''As pessoas estão 'chiando' um pouquinho porque o preço subiu, mas a gente não tem como baixar porque também comprou mais caro.'' Mesmo assim, até o final do dia ela esperava vender todas as 30 caixas que levou.

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