Marcos BorgesComemoraçãoOctacílio e Isolina, aliviada com a operação: antes, com mioma de um quilo no útero, a paciente sentia fortes dores abdominais

Um caso muito raro de mioma uterino (tumor benigno) foi solucionado esta semana no Hospital da Zona Norte, em Londrina. Isolina Lopes Ribeiro, 55 anos, chegou ao hospital com um mioma de aproximadamente um quilo de peso, ou volume de mil centímetros cúbicos. O normal, segundo o ginecologista Octacilio Figueiredo Neto, que tratou de Isolina, seria entre 25 e 90 centímetros cúbicos.
Por causa da doença, a região abdominal de Isolina tinha aparência de gravidez com seis meses de gestação. Além de muita dor, o mioma causa sangramento vaginal abundante e raramente alcança um tamanho tão grande, sendo diagnosticado com maior antecedência e tratado da forma adequada. ‘‘Esse foi um caso raríssimo’’, confirma o médico.
Para um caso raro, a solução só poderia ser pouco comum. E foi: para retirar o tumor e também o útero de Isolina, Octacilio Figueiredo utilizou uma técnica conhecida como histectomia via vaginal, muito comum na França mas pouco difundida no Brasil.
Pela técnica, o útero é divido em várias partes, que são retiradas uma a uma. A operação foi na quarta-feira, às 10 horas da manhã, e durou pouco mais de uma hora. Ontem, a paciente já tinha recebido alta e em duas semanas poderia voltar a trabalhar.
‘‘Não é do nosso conhecimento, pelo menos no Brasil, uma paciente com esta descrição ser tratada via vaginal’’, explica o médico. O procedimento normal, segundo Figueiredo, seria uma histectomia abdominal através de cirurgia.
As vantagens da técnica utilizada em relação à tradicional são grandes e podem ser comparadas - eliminando as especificidades -, com as diferenças entre um parto normal e uma cesariana. Ou seja, com histectomia vaginal não há necessidade de corte cirúrgico, a recuperação é rápida, o uso de remédios é menor, os custos mais baixos, além do lado estético, com a ausência da cicatriz.
‘‘Além disso, não implica risco maior para o paciente’’, completa o médico. Figueiredo destaca que, apesar da sofisticação da técnica, a histectomia via vaginal já é acessível inclusive em hospitais de baixa renda e financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar de ainda continuar com um pouquinho de dor na região abdominal, Isolina estava aliviada com a operação. Há dez anos ela convivia com o problema - tinha dores fortes na bexiga - e ninguém encontrava a origem. ‘‘Eu fazia exames de urina mas não dava nada’’, lembra. ‘‘Nem pegava no sono, de tanta dor.’’
Em novembro do ano passado, no entanto, o mioma finalmente foi diagnosticado. Ela se lembra do susto que tomou quando o útero crescido surgiu na tela do computador, em exame de tomografia. ‘‘Graças a Deus foi diagnosticado.’’
A partir de agora, Isolina quer vida nova. Ela espera poder voltar a trabalhar em casa - mora em Ibiporã -, e esquecer, de uma vez por todas, a década que passou entre dores e remédios. Ou seja: ‘‘Voltar a ter confiança no futuro’’.

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