Tudo voltou ao que era antes
Curitiba - Para o advogado Pedro Luciano Evangelista Ferreira, coordenador do Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade Positivo, o fim da comoção nacional com a Lei Seca era previsível. ''É uma lei exagerada, que não tolera nenhum índice de alcoolemia e que é de difícil fiscalização'', explica. Sem uma fiscalização intensa e visível, o receio de ser flagrado bebendo e dirigindo perde a força.
''O que vimos é que passado um tempo, a fiscalização intensa dos primeiros meses da lei parou e tudo voltou ao que era antes'', aponta. Ferreira credita ao rigor da lei as dificuldades de se manter uma fiscalização eficiente. ''É impossível de se fiscalizar'', declara.
A reportagem da FOLHA percorreu as principais regiões de bares, casas noturnas e restaurantes de Curitiba na madrugada da última quinta-feira. Em duas horas foi possível perceber um movimento grande nesses locais, mas nenhuma blitz ou ação da polícia. ''É difícil imaginar que as autoridades não saibam onde ficam esses locais, esses eventos em que há grande consumo de bebida e não possam fazer uma fiscalização mais frequente'', critica Ferreira.
Para o advogado é importante que existam medidas para reduzir o consumo de álcool entre motoristas. ''Mas não adianta determinar medidas que não possam ser fiscalizadas porque as pessoas acabam aprendendo a escapar'', diz. ''O que acontece é que como a fiscalização é falha, a polícia só pega um ou outro motorista e os demais continuam agindo da mesma forma. Não há mudança de comportamento'', completa. (R.C.F.)





