Tudo pronto para a 7ª edição da festa
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Que tal ficar na cozinha por pelo menos 13 horas para preparar um prato diferente e muito saboroso? É para evitar esse sacrifício aos pobres mortais que Campo Mourão realiza neste domingo a 7ª Festa Nacional do Carneiro no Buraco.
O prato típico e oficial do município agrada paladares de todos os gostos, mas é difícil e cansativo para ser preparado. Só para começar, é preciso cavar um buraco com 1,5 metro de profundidade por 1,15 metro de diâmetro. Depois, é preciso descer um tacho com cerca de 46 quilos dentro desse buraco.
No domingo, a cena vai se repetir pelo menos 100 vezes. Essa é a quantidade de buracos que foram escavados no Parque de Exposição, na saída para Maringá. Cada um deles recebe um tacho com 28 quilos de carne de carneiro e 18 quilos de nove tipos de legumes e dois de frutas. No total, os 2,8 toneladas de carne e 1,8 tonelada de frutas e legumes vão ser consumidos por mais de seis mil pessoas. Acrescente-se aos ingredientes, 300 quilos de arroz e 600 maços de almeirão fresco. Isso sem contar a bebida.
Para que tudo esteja pronto no domingo às 11h30, o trabalho começa já no sábado, a partir das 8 horas, quando a carne começa a ser cortada em pequenos pedaços. Depois disso, ela tem que ficar pelo menos três horas em repouso no tempero. O fogo para o cozimento é acesso dentro de cada buraco à meia-noite hora. Durante seis horas, 1,5 metro cúbico de lenha é queimado. Só depois disso é que o tacho está pronto para ser levado ao cozimento, sobre as brasas. A partir daí, são mais seis horas de espera e expectativa. Mais de 300 pessoas vão trabalhar na festa.
O carneiro no buraco se faz com experiência, explica o mestre-cuca Tony Nishimura. Não dá para experimentá-lo durante o cozimento. E para que a carne fique no ponto, quase tudo tem que ser levado em consideração. Desde o vento até a umidade da terra. Nishimura conhece o prato como ninguém, mas foi um grupo de amigos que, por acaso, deu origem ao carneiro no buraco. A criação aconteceu na década de 60, inspirado num filme de bangue-bangue. Os inventores? Ênio Camargo Queiroz, Joaquim Teodoro de Oliveira e Saul Ferreira Caldas.
Fama No filme, o trio viu carne sendo cozida sobre brasas num buraco escavado ao chão. Tentaram a experiência com carne de carneiro e deu certo. Com o tempo, novos ingredientes foram sendo acrescentados na receita. Foi somente em 1991, no entanto, com a realização da 1ª Festa Nacional que o carneiro no buraco começou a ganhar fama. Também foi a partir daí que a ovinocultura passou a ganhar espaço na região. Se nas primeiras edições da festa foi preciso trazer carne até do Uruguai, desta vez, todos os carneiros são da própria região.
Os 180 animais que vão ao abate foram selecionados há mais de um mês. Desde então, eles estão em quarentena, separados num pasto isolado e recebendo alimentação balanceada. Cada um pesa cerca de 40 quilos e vai render 16 quilos de carne limpa e de primeira qualidade.
Nenhum possui gordura acumulada. Enquanto o carneiro não é servido, pode ser feito um aquecimento na 12ª Festa dos Estados e das Nações, que vai de quinta-feira a sábado, no mesmo Parque de Exposição. A abertura vai contar com show da dupla Leandro e Leonardo.
Os convites para o carneiro no buraco custam R$ 8,00 para adultos e R$ 4,00 para crianças. O lucro será revertido para entidades assistenciais.


