Tudo em ordem nos céus
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quarta-feira, 14 de julho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Dezenas de aviões cruzam diariamente o espaço aéreo de Londrina. A maioria não chega a pousar na cidade mas todos, sem exceção, são acompanhados com cuidado pelos controladores de vôo do Aeroporto de Londrina. A responsabilidade desses profissionais é imensa, já que cabe a eles fazer com que o trânsito dos céus, onde não há estradas nem sinalização, flua tranquilo. Ontem, os controladores do aeroporto comemoraram um recorde inédito: mil dias sem nenhum incidente de vôo. Foi a primeira vez que uma torre do Sul do País conseguiu chegar a esse patamar.
A conquista tem um gosto de vitória ainda maior já que, ao contrário de outros aeroportos, como os internacionais, Londrina não conta com sistema de radar. O último incidente ocorreu em outubro de 2000, quando dois aviões comerciais estiveram em rota de colisão e foram necessárias manobras evasivas de um deles para evitar um acidente.
Imaginar uma colisão dessa proporção arrepia qualquer um e é por isso que a profissão é considerada uma das mais estressantes. ''Mas depois que entra no sangue não sai mais'', afirma o coordenador do setor de Controle de Vôo do Aeroporto de Londrina, Carlos Alberto Souza e Silva.
O aeroporto local é responsável por uma área em um raio de 100 quilômetros, que comporta o tráfego do aeroporto de Maringá, mais 14 pistas particulares e municipais e se estende até a fronteira com o Estado de São Paulo. Em média, mais de 90 aviões por dia cruzam esse espaço aéreo. ''Todos os vôos que vão do Sul para os estados do Mato Grosso e interior de São Paulo passam por aqui'', diz.
Silva resume que a função deles é ''separar os aviões''. Para tanto, o controlador precisa fazer uma série de cálculos rápidos para saber onde o avião está e se, durante o trajeto sobre o espaço aéreo, não há risco de cruzar com outro. ''Você precisa ter um raciocínio lógico, frieza, rapidez e responsabilidade. Imagine duas aeronaves de toneladas voando a 600 km/hora?'', argumenta.
Ele mesmo diz que não sabia que tinha o perfil necessário para ser controlador era vendedor de uma rede de lojas e acabou entrando na profissão por acaso. ''Tinha o concurso, eu fiz mas nem sabia direito o que era um controlador de vôo.''
Com menos tempo de serviço, a controladora Fernanda Morganti Paladini também mudou completamente sua rotina. Para quem acha que as mulheres são desorientadas por natureza, vale dizer que metade do grupo é composto por mulheres. Fernanda era gerente de um centro de processamento de dados. ''É muito diferente o nível de pressão, lá você tinha preocupação com prazos e essas coisas, aqui a atenção precisa ser constante e você tem que estar sempre alerta, além do fato de que cada dia trabalhamos em um horário diferente'', afirma, referindo-se aos turnos matutinos, vespertinos e noturnos.
O recorde dos mil dias, segundo Silva, está relacionado com a integração da equipe, composta de 22 pessoas, e cursos constantes. Investimentos recentes em equipamentos também ajudaram e hoje os computadores substituíram as fichinhas de papel em que eles registravam os vôos. O 'sonho de consumo' da equipe, agora, é o sistema de radar. O aparelho possibilita o acompanhamento dos aviões, em tempo real, na tela. Há uma previsão de implantar o sistema dentro de cinco anos.


