'Tudo é uma questão de tempo e trabalho'
A neuropsicóloga Grazielle Noro, de Londrina, comenta que a criação de vínculo entre mãe e filho também está relacionada a muitos elementos biológicos. De acordo com ela, quando se trata de uma situação natural, de gravidez, ocorre a produção de um hormônio chamado ocitocina, que age em certa região do cérebro e auxilia na formação de vínculo entre mãe e bebê.
"Isso é algo que tem se descoberto em neurociências nos últimos anos e, por isso, podemos dizer que a vinculação com o filho natural conta muito com esse elemento orgânico. Se pensarmos na questão do filho adotivo, a vinculação não conta com este elemento orgânico naturalmente produzido a priori da chegada do bebê. Desta maneira, a interação frequente e saudável determinará a vinculação mae-filho", afirma.
Grazielle ressalta a necessidade de se propiciar um determinado tempo para que esse vínculo aconteça. Ao concordar com a decisão de concessão de 120 dias para casos de adoção, a neuropsicóloga explica que a mãe terá mais tempo para se dedicar, inclusive para manter o contato físico. "Porque esse vínculo, no caso da adoção, é algo que tem que ser criado, tem que ter força e, portanto, é necessário que se propicie a maior frequência possível de contato físico e emocional para sua formação", completa.
Ainda de acordo com Grazielle, não existe fórmula, mas o contato físico é o primeiro que deve acontecer. Ela afirma que estudos revelam que quanto menos contato, menos a criança desenvolve resiliência e mais expressão de medo ela tem. "Portanto, esse contato na maternidade é muito importante. Ser mãe também é se dispor a fortalecer este vínculo com seu filho, ajudando-o a fundamentar a base de sua inteligência emocional, que o acompanhará no decorrer de sua vida. Tudo é uma questão de tempo e trabalho", finaliza. (M.O.)





