Tudo começou com visitas a hospital
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de junho de 1997
Da Redação 
Ana Aparecida Cavagnari, a Cida, conta que sempre fez algum tipo de caridade. Mas esse trabalho todo realizado atualmente começou com o convite de uma amiga para acompanhá-la numa visita periódica que fazia aos doentes do Instituto do Câncer. Era mais uma amizade e a gente levava pirulito, bala. Aí começamos a servir os pacientes dentro do hospital até que fomos impedidas pela direção.
Nesses anos todos, o grupo de voluntárias já passou pelo Hospital Universitário e serviu também os índios que acampavam perto da barragem do lago Igapó. O HU teve que ser tirado da lista de beneficiados porque, segundo Cida, a quantia de doações não supria a demanda. Os índios foram deixados, diz Cida, por pressão de uma funcionária da Secretaria de Ação Social.
Na época, ela reclamou que o gesto contribuía para que os índios continuassem no local. Mas tinha criança e isso dói o coração. Paramos para não arrumar confusão com a Prefeitura, lamenta. As moradias improvisadas debaixo das pontes da avenida 10 de Dezembro (Via Expressa) também eram visitadas por elas até que as pedras pontiagudas estrategicamente colocadas nesses pontos afastaram os moradores. O número de pessoas atendidas foi crescendo muito e as doações não eram suficientes para atender a demanda.
Fico bastante gratificada porque as pessoas me ajudam a ajudar os que precisam mais, analisa Cida. Dessa caminhada a gente não leva dinheiro, não leva diploma. Só leva o que faz de bem, a caridade. Para enfrentar a chuva da última quinta-feira, as voluntárias se protegiam com sacos plásticos na cabeça. A caravana sai da casa de Cida sempre às 13h30 e só volta quando tudo está distribuído, por volta das 18 horas. Quando a gente trabalha com o coração aberto, com vontade e amor, não cansa.
Serviço: Quem quiser colaborar com as voluntárias pode encaminhar as doações para a casa de Cida, na rua Masahiko Tomita, nº 121. O endereço é perto do Vale Verde, entre as ruas Goiás e Pará.


