Ana Aparecida Cavagnari, a Cida, conta que sempre fez algum tipo de caridade. Mas esse trabalho todo realizado atualmente começou com o convite de uma amiga para acompanhá-la numa visita periódica que fazia aos doentes do Instituto do Câncer. ‘‘Era mais uma amizade e a gente levava pirulito, bala. Aí começamos a servir os pacientes dentro do hospital até que fomos impedidas pela direção.’’
Nesses anos todos, o grupo de voluntárias já passou pelo Hospital Universitário e serviu também os índios que acampavam perto da barragem do lago Igapó. O HU teve que ser tirado da lista de beneficiados porque, segundo Cida, a quantia de doações não supria a demanda. Os índios foram deixados, diz Cida, por pressão de uma funcionária da Secretaria de Ação Social.
‘‘Na época, ela reclamou que o gesto contribuía para que os índios continuassem no local. Mas tinha criança e isso dói o coração. Paramos para não arrumar confusão com a Prefeitura’’, lamenta. As moradias improvisadas debaixo das pontes da avenida 10 de Dezembro (Via Expressa) também eram visitadas por elas até que as pedras pontiagudas estrategicamente colocadas nesses pontos afastaram os moradores. ‘‘O número de pessoas atendidas foi crescendo muito e as doações não eram suficientes para atender a demanda’’.
‘‘Fico bastante gratificada porque as pessoas me ajudam a ajudar os que precisam mais’’, analisa Cida. ‘‘Dessa caminhada a gente não leva dinheiro, não leva diploma. Só leva o que faz de bem, a caridade.’’ Para enfrentar a chuva da última quinta-feira, as voluntárias se protegiam com sacos plásticos na cabeça. A caravana sai da casa de Cida sempre às 13h30 e só volta quando tudo está distribuído, por volta das 18 horas. ‘‘Quando a gente trabalha com o coração aberto, com vontade e amor, não cansa.’’
Serviço: Quem quiser colaborar com as voluntárias pode encaminhar as doações para a casa de Cida, na rua Masahiko Tomita, nº 121. O endereço é perto do Vale Verde, entre as ruas Goiás e Pará.

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