No imóvel Jacutinga, concessão do Estado ao engenheiro Francisco Beltrão (irmão de Alexandre), Ibiporã significa "terra bonita", tradução do tupi guarani. Mas poderia chamar-se Tucuty, se fosse aceita uma sugestão no sentido de reverenciar o passado indígena e até mesmo evitar confusão gráfica.
O Paraná-Norte de 20 de outubro de 1936 informa que se chamava Tucuty ("multidão de palmeiras") a pequena aldeia indígena ou "tapuí" à margem do Ribeirão Abóboras no "sítio atualmente chamado Taquara do Reino", que os jesuítas transformaram em São José, a redução (1625-1631).
E nas imediações, prossegue o jornal, "vai ser localizada uma estação da E.F. São Paulo-Paraná cujo nome ainda não foi escolhido", daí sugerir ao superintendente da ferrovia, Wallace Morton, que tenha "o nome que os jesuítas arrebataram aos selvícolas".
Falta certificar se houve resposta ou não. Mas, em 19 de abril de 1936, decidiu-se por "Ibi-Porã", grafia informada e que seria alterada logo a seguir. O leitor sob o pseudônimo "Abyssínio Sertanopolitano" reagiu em carta ao Paraná-Norte: "Admirei-me dessa novidade, porquanto o vosso jornal, há meses, se bateu para que (…) tivesse o nome de Tucuty".
O autor da carta considera um menosprezo "aos nossos antepassados" e prevê uma futura confusão, alegando que "nomes compostos são sempre estropiados", oferecendo o risco de encomendas serem remetidas, por erro de grafia, a lugares indesejados. E o endereço ferroviário de Sertanópolis seria a estação de Ibi-Porã. "Acresce que o nome "Ibi-Porã", além de composto, ainda precisa de um traço de união entre as duas palavras e um til, tudo isso atrapalhando a escrita". Que se optasse por Tucuty ou "outro nome qualquer, contanto que seja simples".
O jornal toma posição: "O nosso missivista tem razão. E enquanto não se define o nome da futura cidade, pedimos para o caso a preciosa atenção dos srs. Wallace Morton, Alexandre Beltrão, Francisco Beltrão e Arthur Thomas". Sabe-se, porém, que Alexandre definira o nome e a Estrada de Ferro o acompanhou.
Fato novo: a redução não se localizou em Ibiporã. Nas décadas de 1990 e 2000, arqueólogos do Museu Paranaense certificaram vestígios da redução jesuítica São José próximos ao córrego Palmeira, afluente do rio Vermelho, em Cambé. Na 9ª Reunião de Antropologia do Mercosul, a arqueóloga Cláudia Inês Parellada oficializou a descoberta em Cambé. (W.S.)

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