Vânia Moreira
De Umuarama
O número de casos de tuberculose registrados ano passado em Umuarama dobrou em relação ao ano anterior. Segundo o Serviço de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, em 98 foram registrados 10 casos da doença, com duas mortes. No ano passado, apareceram 24 novos casos e quatro pacientes morreram em consequência da tuberculose.
Segundo a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Mitie Aoki Lopes, o número de casos registrados aumentou porque agentes de saúde, enfermeiros e outros funcionários que atuam na área saíram a campo para identificar portadores da doença e encaminhá-los ao tratamento. ‘‘Tínhamos muitos casos desconhecidos que estamos descobrindo agora. Por isso, não podemos afirmar que a doença está se alastrando, mas a situação é preocupante e exige maior controle’’, disse Mitie.
Segundo a enfermeira, a maioria dos doentes é de baixa renda e subnutridos. Não existem focos específicos de contaminação na cidade. Os casos estão espalhados por quase todos os bairros. Mitie acredita que o número de infectados pode ser alto porque cada tuberculoso pode infectar pelo menos quatro pessoas, geralmente os familiares que estão em contato direto com o doente. ‘‘Quando descobrimos um caso, fazemos exames periódicos também nos outros membros da família para saber se contraíram a doença’’, explicou.
O que mais preocupa os profissionais de saúde é que muitos doentes não procuram atendimento médico ou abandonam o tratamento. Dos 24 portadores de tuberculose cadastrados no ano passado, 15 estavam recebendo acompanhamento médico nos postos de saúde. Dos 15, oito haviam abandonado o tratamento.
Os agentes de saúde estão visitando todos os doentes para descobrir porque abandonaram o tratamento e levá-los de volta ao consultório médico. ‘‘Queremos também identificar pessoas que possam estar contaminadas mas ainda não sabem, encaminhá-las para tratamento e acompanhar a situação para evitar que a doença se alastre’’, informou Mitie.
De acordo com a enfermeira, os doentes de tuberculose não precisam agendar consultas. São atendidos prontamente por um pneumologista no Consórcio de Saúde. A Saúde também fornece gratuitamente o coquetel de antibióticos para o tratamento. Segundo a enfermeira, os pacientes abandonam o tratamento por ignorância. ‘‘Muitos param de tomar o remédio depois que a febre desaparece, acreditando estar curados. É preciso tomar o coquetel de antibióticos durante seis meses’’, alertou.
A Secretaria de Saúde quer aproveitar o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, em 24 de fevereiro, para promover uma campanha de esclarecimento e prevenção junto à população. ‘‘As pessoas precisam saber como se prevenir e ficar alerta aos sintomas’’, observou Mitie.