Tuberculose atinge 2,5 mil ano ano
Maigue Gueths
De Curitiba
Há cinco anos o Paraná mantém estabilizado o número de casos de tuberculose na casa de 2,5 mil novos casos a cada ano. O índice de cura, por sua vez, teve um pequeno acréscimo nos últimos anos, passando de 60% para 70% das ocorrências. Técnicos da saúde consideram baixo esse índice e começam a partir do segundo semestre deste ano um programa de acompanhamento aos doentes, que pretende elevar o índice de cura para 85% dos novos casos até o ano 2001. Ainda não há dados sobre os índices de cura deste ano. Mas em 1998 chegou a 78% dos 2.574 casos notificados no Estado.
O maior problema no tratamento da tuberculose, segundo o secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio, é o abandono do tratamento. Muitas vezes o paciente sente uma melhora significativa nos primeiros meses de tratamento e acaba deixando os remédios. Com isso, o bacilo causador da tuberculose cria resistência aos medicamentos e uma retomada do tratamento torna-se mais complicada e com risco de não se obter a cura esperado, diz.
Normalmente, o tratamento dura seis meses, podendo ser estendido ou ter os medicamentos reforçados, caso a doença não ceda neste período. O tratamento é feito nos postos de saúde, gratuitamente, e prevê consultas mensais para avaliação clínica e exame de escarro (baciloscopia), com fornecimento dos medicamentos necessários. No ano passado 10% dos pacientes deixaram de tomar os remédios. Este número já chegou a 14% em anos anteriores e a meta, agora, é chegar a 5%.
Para isto, a secretaria está elaborando um plano de acompanhamento dos pacientes que apresentam maior risco de abandono do tratamento, como mendigos, alcoólatras, presidiários, doentes mentais, usuários de droga, deficientes físicos e idosos. A idéia é fazer um tratamento supervisionado dos doentes, num trabalho que vai envolver as 22 Regionais de Saúde do Estado e os municípios.
Uma das alternativas para a supervisão será usar os trabalhos dos 4.609 agentes comunitários, que hoje atuam em 328 municípios do Estado, atendendo quase 300 mil famílias. Segundo o sanitarista Fidélis Muller Berneck, do Departamento de Doenças e Agravos da Sesa, estes voluntários ficariam encarregados de dar o medicamento diariamente aos doentes, bem como garantir o retorno mensal aos postos de saúde.
O Brasil é citado em pesquisas internacionais pelo elevado número de casos de tuberculose. Segundo o Unicef, o Brasil precisa implementar o tratamento e acompanhamento adequado dos doentes de tuberculose. O ideal é que 70% dos casos sejam supervisionados, mas o Brasil monitora menos de 10% dos doentes.





