Tsuioshi Kono volta. Se precisar
Tsuioshi Kono volta. Se precisar
Eliane Eme Sato
Motorista de ônibus e caminhão, Tsuioshi Kono, 53 anos, trabalhou pesado durante quatro anos no Japão, mas ainda não conseguiu realizar aquele que é o sonho de muita gente: trabalhar por conta própria, sem patrão. Kono ainda tem esperanças de abrir seu próprio estabelecimento comercial e atuar como autônomo em Curitiba.
Do Japão, enviou dinheiro à família para adiantar a abertura do negócio. Primeiro foi uma loja de locação de telefones, depois uma locadora de vídeo, seguida por uma loja de roupas. Como não obteve êxito em nenhum desses empreendimentos, Tsuioshi Kono parte para a quarta tentativa: espera em casa, há dois anos, desde que voltou do Japão, o alvará da Prefeitura de Curitiba para abertura de uma agência de viagens. Vou arriscar, mas tem de ser algo pequeno porque são os últimos tostões que tenho, diz ele.
O dekassegui conta que só voltou do Japão para tratamento médico, depois de sofrer uma lesão no braço quando tirava cargas de um caminhão. Kono vai tentar reverter o problema com sessões de fisioterapia. Fui por necessidade mesmo. Não pretendo retornar ao Japão, mas se o dinheiro acabar não tenho outra saída, diz.
Ele deixou a mulher e dois filhos, hoje com 4 anos e 16 anos. Eu me arrependi. Não vale a pena perder o afeto dos filhos. Durante o tempo em que esteve no Japão, o dekassegui conta que trabalhou como motorista de transporte, profissão que exercia no Brasil.
Depois que machucou o braço, empregou-se numa indústria de ímãs para computadores. Nos dois empregos, o salário era em média de US$ 3 mil e a jornada de trabalho, de 10 horas diárias. Economizava cerca de US$ 1,8 mil mensais.





