Curitiba - Dois projetos paranaenses são finalistas do Prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil. Eles foram escolhidos entre mais de 600 inscritos inicialmente e 114 selecionados pela fundação. Agora, 24 finalistas aguardam o resultado, que será divulgado em 24 de novembro, quando oito projetos serão premiados com R$ 50 mil para expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da nova tecnologia.
Seguindo os passos dos ''Doutores da Alegria'', o projeto curitibano ''Trupe da Saúde'' já atingiu cerca de 100 mil pessoas em seus quase sete anos de atuação. Semanalmente, 1,5 mil pacientes de cinco hospitais da Capital são visitados pelos doutores palhaços que mexem com tudo e com todos, no intuito de alegrar o clima sereno e, por vezes triste, dos leitos hospitalares. A paciente Beatriz Regina Ferreira, 16 anos, se considera amiga dos atores e garante que palhaço não é só coisa de criança.
''Eles alegram mesmo. Conversam e brincam com todo mundo. Quando eles não vêm, a gente pergunta cadê eles'', conta. E justamente para não decepcionar essas pessoas, o coordenador do projeto, Ricardo Trento, optou por contratar os atores para garantir a frequência e regularidade das visitas.
''Nossos atores profissionais estão sempre se atualizando, se reciclando e recebem a orientação de uma psicóloga'', explica Trento. A doutora Maracujá, também conhecida como Milene Dias, conta que o maior cuidado é de não levar os problemas da vida pessoal para o trabalho, assim como não trazer de volta a carga ruim que certas situações podem acarretar.
Formada em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP), Milene viu na ''Trupe'' a oportunidade de atuar como palhaço profissional, além de exercitar a arte de conquistar o público todos os dias. O pequeno Herick Paim, 5 anos, que o diga. Recebeu os personagens com receio, mas logo entrou na brincadeira e abriu o sorriso. E seu pai, Claudemir Paim, pôde desviar os pensamentos por um minuto da cirurgia iminente do filho. Recém-operada do coração, Mariana Lopes Martins, 14 anos, tinha que se segurar para não rir.
O projeto é da ONG Universidade Livre da Cultura (Unicultura) e sobrevive graças a patrocínios da Lei Rouanet. Com o dinheiro do prêmio, Trento diz que deseja fortalecer o núcleo de pesquisas, estudos e desenvolvimento do projeto e, quem sabe, adicionar novos membros à equipe de 15 funcionários e 16 colaboradores.
Gerando renda
O outro projeto finalista do prêmio existiu durante 12 anos, mas foi extinto por falta de incentivos em 2006. Desenvolvido pela Associação Difusora de Treinamentos e Projetos Pedagógicos (Aditepp), o ''Gerando renda e transformando relações de gênero'' ajudou mais de 40 comunidades de Curitiba e região metropolitana.
Segundo o coordenador da associação, Claudinei Mendes da Costa, cerca de 30 mil pessoas foram atingidas diretamente pelo conceito de economia solidária levado pela equipe de 40 funcionários que prestava assessoria às comunidades carentes. A equipe de profissionais de admistração, serviço social, sociologia e educadores sociais procurava ou formava grupos de trabalho com as mulheres da comunidade e os acompanhava durante três a cinco anos até que eles ''caminhassem com as próprias pernas''.
Outra atuação forte dos agentes da associação era na questão de gênero. ''Pelo fato das mulheres começarem a ter sua renda própria, era preciso reforçar com os homens da comunidade a questão da igualdade entre os sexos e a importância do papel da mulher na família'', explica Costa. Essa conversa acontecia até nos bares da região de atuação, já que os homens dificilmente compareciam às reuniões ou seminários do projeto. Com nova possibilidade de patrocínio, um trabalho semelhante começou a ser realizado em Paranaguá, em agosto deste ano.

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